
Praia, 22 jun 2020 (Lusa) — O aumento da capacidade de testes, o desconfinamento, maior mobilidade das pessoas e a desobediência à s normas são os principais fatores apontados pelas autoridades de saúde para o aumento do número de casos de covid-19 em Cabo Verde.
Os fatores foram apontados hoje pelo diretor nacional de Saúde, Artur Correia, em conferência de imprensa, na Praia, para fazer o ponto de situação da pandemia do novo coronavÃrus no paÃs, no dia em que Cabo Verde registou 54 novos casos, maior número diário desde o primeiro no paÃs, em 19 de março, elevando o total nacional para 944.
Na análise, Artur Correia disse que o aumento de casos no paÃs começou com o fim do estado de emergência, diferenciado por ilhas, de 29 de março a 29 de maio, e inÃcio do desconfinamento, em 01 de junho.
No dia 01 de junho, Cabo Verde tinha 458 casos acumulados de covid-19 e 21 dias depois esse número é mais do dobro, com um total de 944 em seis das nove ilhas habitadas.
 “Depois de quase dois meses de estabilização, a partir de 01 de junho temos um aumento para 180 casos, na semana seguinte para 189 e na semana que terminou ontem [domingo] para 109, e vamos continuar nesta teimosia de não deixar que o pico avance mais do que está neste momento”, afirmou o porta-voz do Ministério da Saúde.
Para esses quase 500 casos em menos de um mês, o diretor nacional de Saúde começou por justificar com o aumento de testes, tendo o paÃs realizado até agora mais de oito mil testes de virologia e cerca de 27 mil testes rápidos para deteção de anticorpos.
No que diz respeito aos testes de virologia (PCR), Artur Correia sublinhou que se nas primeiras semanas da pandemia o paÃs realizava cerca de 900, nas duas últimas as autoridades fizeram cerca de 1.400 por semana em todo o paÃs.
Artur Correia justificou ainda os números com o desconfinamento, que permitiu mais mobilidade à s pessoas, assim como a consequente desobediência à s normas instituÃdas pelas autoridades sanitárias.
Segundo o diretor, há quase dois meses, durante o perÃodo de confinamento, existia “uma estabilização de casos, com um mÃnimo de 44 e máximo de 84”, tendência que Artur Correia classificou como estacionária, “mas a partir de 01 de junho começou a haver esses picos”.
O diretor nacional de Saúde referiu que os picos têm a ver com os dois novos focos de transmissão ativa, na ilha do Sal e no concelho de Santa Cruz, em Santiago, que juntos somam mais de 220 casos, registados praticamente todos em junho.
“Esses dois é que contribuÃram para desequilibrar a evolução normal, uma vez que na Praia [ilha de Santiago] tem havido uma certa estabilização”, disse o responsável de saúde, que prevê um aumento de casos nos próximos dois dias no paÃs, numa média de 15 por dia.
Com o retomar das ligações aéreas e marÃtimas de passageiros de Santiago para outras ilhas, prevista para o final deste mês, o diretor disse que não será surpresa o aparecimento de novos casos.
 “O paÃs não pode ficar fechado, as ilhas não podem ficar sem comunicação, tem de haver mobilidade de pessoas, trocas comerciais, a economia do paÃs tem de funcionar”, declarou, defendendo que Cabo Verde não pode “ficar eternamente” com “cada ilha fechada em si própria, porque é impossÃvel e o paÃs não aguenta”.
Na conferência de imprensa, o diretor nacional de Saúde abordou ainda a questão da discriminação sofrida por muitas pessoas que foram infetadas bem como pelos seus familiares, frisando que “não faz sentido nenhum” já que as pessoas estão recuperadas e com testes negativos.
“A covid-19 não olha a quem para infetar, qualquer um de nós pode estar suscetÃvel de ser infetado”, salientou o porta-voz da tutela da Saúde em Cabo Verde, para quem sem o cumprimento das normas de proteção qualquer pessoa pode ser infetada pelo novo coronavÃrus.
Do total de casos de covid-19 no paÃs desde 19 de março, há a registar oito mortos e dois doentes foram transferidos para os seus paÃses.
Até agora, 440 doentes já foram considerados recuperados, representando 47% do total, permanecendo 494 com infeção, segundo o diretor nacional de Saúde.
A pandemia de covid-19 já provocou mais de 469 mil mortos e infetou quase nove milhões de pessoas em 196 paÃses e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
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