
Lisboa, 23 dez 2020 (Lusa) — A Sociedade Portuguesa de Alergologia propôs hoje que a vacina da Pfizer para a covid-19 não seja administrada a pessoas com antecedentes de reações alérgicas graves, apesar de reconhecer que estas reações à s vacinas são raras.
Em comunicado, a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia ClÃnica (SPAIC), diz que, apesar da informação clÃnica disponÃvel sobre os casos em que terão ocorrido reações alérgicas suspeitas à vacina Pfizer-BioNTech para a covid-19 ser ainda muito limitada, “não se supõe existir um risco acrescido de efeitos adversos à vacina em doentes asmáticos, com rinite alérgica ou com eczema”.
“As reações alérgicas à s vacinas do calendário nacional de vacinação são raras. As reações mais graves (reações anafiláticas) ocorrem em menos de 1/100.000 indivÃduos”, afirma a SPAIC, acrescentando que “de acordo com a informação disponÃvel, as reações alérgicas à vacina Pfizer-BioNTech para a covid-19 serão também eventos raros”.
Contudo, propõe que esta vacina não seja administrada a doentes com antecedentes de reações alérgicas graves a vacinas e que a relação risco-benefÃcio “seja avaliada por um imunoalergologista nos casos de anafilaxia prévia a medicamentos, alimentos, latex, venenos de himenópteros (insetos como abelhas, vespas ou formigas) e ainda nos casos de anafilaxia idiopática (quando não é claramente identificado nenhum agente causador da reação alérgica grave), sÃndromes de ativação mastocitária (quando a reação alérgica afeta mais do que um sistema de órgãos) e imunodeficiências primárias”.
A SPAIC defende que as vacinas contra o SARS-CoV-2, o coronavÃrus que provoca a doença covid-19, só deverão ser administradas em unidades de saúde onde existam profissionais devidamente treinados e meios adequados para o tratamento de eventuais reações alérgicas e que deverá ser respeitado um perÃodo de vigilância de 30 minutos após a administração da vacina.
“Os imunoalergologistas estão disponÃveis para investigar todos os doentes com reações alérgicas graves à s vacinas para o SARS-CoV-2 que venham a estar disponÃveis em Portugal”, diz a SPAIC, que se disponibiliza também para prestar consultoria cientÃfica à Direção Geral da Saúde, ao Infarmed, aos Coordenadores do “Plano de vacinação contra a Covid-19” e à s restantes autoridades de saúde nacionais.
A Comissão Europeia autorizou na segunda-feira a colocação no mercado da vacina contra a covid-19 desenvolvida pelas farmacêuticas Pfizer e BioNTech, horas após a Agência Europeia do Medicamento (EMA) ter dado o seu parecer cientÃfico favorável.
As primeiras vacinas contra a covid-19 deverão chegar a Portugal em 26 de dezembro e até abril deverão ser vacinadas 950 mil pessoas.
Segundo anunciou a ministra da Saúde, os profissionais de saúde dos centros hospitalares universitários do Porto, São João, Coimbra, Lisboa Norte e Lisboa Central serão os primeiros a ser vacinados, o que deverá acontecer no dia 27 de dezembro.
De acordo com o calendário provisório de entrega de vacinas da Pfizer, em dezembro serão entregues 9.750 doses, em janeiro 303.225, em fevereiro 429.000 e em março 487.500.
Em Portugal, morreram 6.254 pessoas dos 378.656 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.
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