
Lisboa, 20 jul 2020 (Lusa) — O acesso aos cuidados de saúde entre março e junho deste ano teve uma “queda acentuada” devido aos constrangimentos causados pela pandemia, conclui a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) num documento hoje divulgado.
“O difÃcil enquadramento gerado pela situação de pandemia teve resultado imediato no sistema de saúde, sendo visÃvel a queda acentuada da atividade programada e não programada na rede de estabelecimentos do SNS [Serviço Nacional de Saúde], sobretudo em virtude das alterações aplicadas à organização e prestação de cuidados de saúde, de modo a prepará-lo para responder à pressão a que poderia vir a ser sujeito, em função da evolução da pandemia”, refere a ERS numa informação sobre o impacto da covid-19.
Relativamente ao mês homólogo de 2019, em março de 2020 verificou-se uma queda de 16% no número de consultas médicas hospitalares realizadas presencialmente no SNS, tendo a variação negativa alargado até aos 35% e 31%, respetivamente, nos meses de abril e maio últimos.
A percentagem de primeiras consultas no total de consultas médicas hospitalares também caiu nestes meses, com a queda mais acentuada, de 9 pontos percentuais, a registar-se no mês de abril, por comparação ao mês homólogo em 2019.
Em contrapartida, “aumentou significativamente o volume de consultas por telemedicina”, adianta a reguladora.
Também ao nÃvel da realização de cirurgias, os hospitais do SNS tiveram “uma redução significativa a partir de março, com o volume de cirurgias programadas em abril e maio a ficar, respetivamente, 78% e 57% abaixo do verificado nos perÃodos homólogos de 2019”.
Ainda que o impacto nas cirurgias consideradas urgentes tenha sido inferior, “a redução do seu volume tem também vindo a ser significativa desde o inÃcio da pandemia”, adianta a ERS, referindo que em abril, em particular, houve uma diminuição de 23% das cirurgias urgentes realizadas face ao mesmo mês em 2019.
Quanto à s cirurgias no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), efetuadas por entidades convencionadas do setor privado, cooperativo e social, “ainda não eram conhecidos dados definitivos”. Contudo, de acordo com a informação preliminar, comparando a média mensal de atividade cirúrgica referente a 2019 e a média mensal referente ao perÃodo de janeiro a maio de 2020, estima-se uma redução de cerca de 40% das cirurgias realizadas.
Por sua vez, o internamento — médico e cirúrgico — de doentes agudos no SNS apresentou uma queda na ordem dos 15%, 38% e 32%, respetivamente, em março, abril e maio, face aos meses homólogos de 2019.
Já o número de episódios de urgência hospitalar foi 37%, 52% e 45% inferior, respetivamente nos meses de março a maio, por comparação com iguais meses de 2019.
Também nos cuidados primários se verificou “uma descida muito significativa da atividade assistencial”, desde o inÃcio da pandemia.
Assim, o número de consultas médicas presenciais, que tiveram já pequenas reduções nos primeiros meses do ano, diminuiu 33%, 73% e 66% nos meses de março, abril e maio, respetivamente.
Em contrapartida, tal como nos hospitais, também nos cuidados primários houve um grande aumento face a 2019, em todo o perÃodo em análise, do número de consultas – médicas e de enfermagem – não presenciais, que chegou a mais do que duplicar em abril.
Sobre os estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde, a ERS diz que “o perÃodo decorrido desde o inÃcio da pandemia ainda é demasiado curto para que se possam retirar conclusões efetivas”.
“Não obstante, foi possÃvel observar uma redução da rede de estabelecimentos de natureza privada, cooperativa e social em funcionamento durante o estado de emergência, em diversas tipologias de cuidados de saúde”.
O estado de emergência nacional vigorou entre 18 de março e 02 de maio.
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