
Paris, 15 dez 2020 (Lusa) – A procura mundial de petróleo vai cair 8,8% este ano face a 2019, para 91,2 milhões de barris por dia, e só recuperará parte desta perda em 2021, avançou hoje a Agência Internacional de Energia (AIE).
Apesar do recente aumento dos preços devido ao anúncio de várias vacinas contra o novo coronavÃrus, “a curto prazo, a procura continua fraca” e a sua recuperação será mais lenta do que o esperado, sublinha a AIE no seu relatório mensal sobre o mercado petrolÃfero.
A previsão de uma recuperação da procura até 2021 foi ligeiramente reduzida em 170.000 barris por dia, para um aumento de 5,7 milhões de barris em 2020, principalmente devido à s perspetivas negativas para o combustÃvel da aviação.
Apesar da recuperação a partir deste ano, a AIE espera que o consumo em 2021 seja de menos 3,1 milhões de barris por dia do que em 2019 – o último ano sem as distorções da pandemia – e atribui 80% deste declÃnio ao setor da aviação.
“Não se espera que a procura de combustÃvel para a aviação recupere rapidamente, uma vez que os Governos planeiam manter o encerramento das fronteiras e as restrições de viagens até que as vacinas estejam amplamente disponÃveis”, sublinha o relatório.
Em vez disso, a procura de gasolina e gasóleo durante 2021 atingirá 97% e 99% dos nÃveis de 2019.
Os preços do petróleo recuperaram nas últimas semanas e o Brent, de referência na Europa, ultrapassou os 50 dólares por barril pela primeira vez desde o inÃcio de março, pouco antes do inÃcio dos confinamentos fora da China devido à pandemia.
Mesmo assim, o relatório insiste na “incerteza persistente” no setor que a pandemia está a causar na procura de petróleo e na estabilidade do mercado.
Embora este aumento dos preços internacionais do petróleo se deva em parte à “euforia” devido ao inÃcio das vacinações, “serão necessários vários meses até atingirmos uma massa crÃtica de vacinados economicamente ativos e, por conseguinte, vermos um impacto na procura de petróleo”, salienta a AIE.
Acrescenta que, a curto prazo, “a procura continua fraca” e, portanto, os analistas da agência reduziram ligeiramente a sua última previsão para o quarto trimestre deste ano, de modo que o ano irá fechar em 91,2 milhões de barris por dia, uma queda de 8,8 milhões face a 2019.
Esta previsão inclui mais uma pequena queda de 50.000 barris por dia na procura anual, em comparação com o relatório do mês passado.
A procura recuperou parcialmente do colapso do segundo trimestre, quando caiu 16,3 milhões de barris por dia no pior dos confinamentos e encerramentos de atividade decretados pelos governos de todo o mundo para tentar travar a pandemia.
No entanto, a recuperação no segundo semestre deste ano “deve-se quase inteiramente à rápida melhoria da China”, enquanto as perspetivas são “sombrias” nos paÃses da OCDE.
Em particular, a situação piorou na Europa, uma vez que a procura será menor no quarto trimestre do que no terceiro trimestre devido a novos confinamentos e restrições impostas por muitos paÃses para fazer face à significativa segunda vaga da pandemia.
Do lado da oferta, a AIE salienta que os paÃses da OPEP e seus aliados (OPEP+) demonstraram flexibilidade na modificação das suas quotas de produção, mesmo quando o perÃodo de baixa procura durou mais tempo do que o esperado e apesar do facto de o mercado ter tido de acomodar o aumento da extração pela LÃbia.
A este respeito, o relatório observa que o recente acordo da OPEP+ para aumentar gradualmente a produção em não mais de 500.000 barris por dia a partir de janeiro baseia-se na admissão de que “o mercado permanece frágil e necessita de ajustamentos cuidadosos”.
Anteriormente, a OPEC+ (que inclui a Rússia) tinha planeado aumentar a sua produção a partir de janeiro em 1,9 milhões de barris.
A AIE prevê também que os paÃses produtores não-OPEP e não-OPEP+ aumentem a sua produção em 2021 em cerca de 400.000 barris por dia, após uma queda de 1,3 milhões de barris em 2020.
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