
Lisboa, 15 mar 2021 (Lusa) — A Plateia — Associação de Profissionais das Artes Cénicas lamentou hoje o atraso na atribuição dos apoios aos trabalhadores da Cultura, alertando para que “não basta anunciar”, quando dois meses depois o dinheiro “não chegou a ninguém”.
“Não basta anunciar as medidas, e muitas vezes anunciá-las várias vezes, é preciso que elas cheguem o mais depressa possÃvel à s pessoas. O que temos é que foram anunciados apoios em 14 de janeiro, especÃficos para a Cultura, e nenhum deles chegou ainda a ninguém”, afirmou hoje a presidente da direção da Plateia — Associação de Profissionais das Artes Cénicas, AmarÃlis Felizes, em declarações à Lusa.
Em 14 de janeiro, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, anunciou, no âmbito das medidas de resposta à crise provocada pelas restrições decretadas no âmbito da pandemia da covid-19, várias medidas especificas para o setor, incluindo um apoio extraordinário aos artistas, autores, técnicos e outros profissionais da Cultura, no valor único de 438,81 euros, referente a um Indexante dos Apoios Sociais (IAS).
Na quinta-feira, em Conselho de Ministros, o Governo aprovou “o reforço dos mecanismos de apoio no setor da cultura, prevendo-se o alargamento, de um para três meses, do apoio extraordinário aos artistas, autores, técnicos e outros profissionais da cultura”.
Segundo a ministra da Cultura, hoje, em conferência de imprensa, este apoio será pago nos meses de março, abril e maio, especificando assim o prolongamento por três meses, anunciado na quinta-feira.
Para a Plateia, “é muito grave” que este apoio, “anunciado para um perÃodo de confinamento, que começou em 15 de janeiro, só chegue à s pessoas no final de março”. “Ou seja, mais de dois meses depois, tendo em conta a situação grave destas pessoas, de carência económica, que já fomos conhecendo durante este [último] ano”, afirmou AmarÃlis Felizes.
A dirigente da Plateia salientou que a associação “valoriza que este apoio se prolongue por mais dois meses”, algo que “seria de esperar tendo em conta que o confinamento também se prolongou”.
Além dos apoios já anunciados, a Plateia exige “medidas de apoio a quem trabalha na Cultura para o horizonte do fim das restrições”.
“O que vimos no perÃodo em que houve alguma abertura no ano passado, foi que, com as restrições, nomeadamente à lotação das salas e a muitas atividades, não houve uma retoma, de facto, da plena capacidade deste setor, e muitos trabalhadores nunca voltaram a trabalhar desde o inÃcio da pandemia”, alertou.
A atividade cultural voltou a parar em Portugal Continental em 15 de janeiro, quando foi decretado um novo confinamento generalizado.
Na quinta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, anunciou que as atividades culturais poderão ser retomadas, faseadamente, a partir de segunda-feira, dia em que podem reabrir livrarias, lojas de discos, bibliotecas e arquivos.
No âmbito do Plano de Desconfinamento, em 05 de abril podem reabrir museus, monumentos, palácios, galerias de arte e similares e em 19 de abril teatros, auditórios, salas de espetáculos e cinemas.
Também a partir de 19 de abril podem ser retomados os “eventos no exterior, sujeitos a aprovação da Direção-Geral da Saúde”. Em 03 de maio, poderão voltar a realizar-se “grande eventos exteriores e interiores, sujeitos a lotação definida pela DGS”, o que pode vir a envolver festivais.
No ano passado, a atividade cultural encerrou em março, no âmbito do primeiro confinamento, tendo a reabertura ocorrido a partir de maio, acontecendo de forma lenta e gradual, com lotação reduzida, medidas restritivas e de higiene, e uma retração de consumo por parte dos portugueses.
“Precisamos também de ver medidas para o horizonte do fim de todas as limitações, porque sabemos que a retoma não vai ser total enquanto essas limitações [nomeadamente de lotação das salas] existirem”, afirmou AmarÃlis Felizes.
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