
Lisboa, 03 mar 2021 (Lusa) — A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) diz que o panorama é de “manifesta gravidade”, mas que as empresas “têm sobrevivido” ligadas à máquina, com a liquidez que tinham, com endividamento e apoios governamentais.
“É um panorama de manifesta gravidade, obviamente” aquele que o setor vive em tempos de pandemia, começou por afirmar o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, em entrevista à Lusa, acrescentando que, “apesar de tudo, as agências de viagens têm sobrevivido”.
“Estão em sofrimento, mas têm sobrevivido”, reforçou.
O responsável apontou que, ao longo de 2020, as empresas do setor registaram quebras de negócio entre os 75% e os 100%, devido à pandemia de covid-19 e que a estimativa para janeiro e fevereiro deste ano é de um agravamento para quebras entre os 90% e os 100%.
No entanto, explicou, as agências de viajem têm conseguido sobreviver, sobretudo devido a “três fatores essenciais”: os resultados positivos do turismo em 2019, que permitiram acumular liquidez, o recurso ao endividamento e os apoios governamentais, “que não sendo suficientes”, disse, “têm sido manifestamente importantes”.
“Enquanto as empresas estão ligadas à máquina, elas conseguem sobreviver. Com sofrimento, com empresários a gastar dinheiro, com empresários e empresas a endividarem-se, com certeza que sim, com apoios, com certeza que sim, mas têm conseguido sobreviver até ao grande momento da verdade, que é a retoma”, sublinhou Pedro Costa Ferreira.
O responsável ressalvou, porém, que a situação está “pior do que nunca”, uma vez que a crise está a durar mais do que o previsto e as empresas do setor, estando autorizadas a trabalhar, não têm registado procura expressiva, face à s restrições de mobilidade.
“Nós estamos num estado de uma espécie de hibernação”, relatou.
Questionado acerca de um sinal de falências pela perda de associados, o presidente da APAVT disse que a associação tem registado “algumas quebras”, embora não sejam significativas.
“Temos algumas quebras de associados, sim. […] Nós fazemos a repescagem das razões pelas quais as empresas deixam de ser associadas, algumas delas é porque desistiram de continuar e, portanto, temos realmente alguns abandonos, mas do ponto de vista macro, mais geral, a verdade é que, tal como os próprios dados macroeconómicos nos fazem sentir, é que há menos falências em 2020 do que em 2019”, esclareceu Pedro Costa Ferreira.
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