
Genebra, 13 out 2021 (Lusa) — A Organização Mundial da Saúde anunciou hoje a composição da equipa que irá passar a investigar novos vÃrus infecciosos que possam provocar pandemias e que terá como uma das missões estudar a origem do SARS-CoV-2, que causa a covid-19.
A equipa integra 26 especialistas de diversas áreas, como epidemiologia, saúde animal, ecologia, medicina clÃnica, virologia, biologia molecular, segurança alimentar ou biossegurança, sendo os seus membros de paÃses tão diferentes como Estados Unidos, Brasil, Reino Unido, Rússia, França, Alemanha, China ou Japão.
A equipa, escolhida entre 700 candidatos, irá formar o Grupo Consultivo CientÃfico para as Origens de Novos Patógenos e visa aconselhar a Organização Mundial de Saúde (OMS) relativamente à s origens de agentes infecciosos emergentes e reemergentes com potencial para provocarem epidemias ou pandemias.
“O aparecimento de novos vÃrus com potencial para desencadear epidemias e pandemias é um facto da natureza e, apesar de o SARS-CoV-2 ser o vÃrus mais recente, não será o último”, afirmou hoje o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
“Entender de onde vêm os novos patógenos é essencial para prevenir futuros surtos com potencial epidémico e pandémico e requer um leque vasto de conhecimento. Estamos muito satisfeitos com o calibre de especialistas selecionados (…) e esperamos trabalhar com eles para tornar o mundo num lugar mais seguro”, acrescentou.
Os 26 membros serão ainda sujeitos a uma avaliação final, na qual a OMS também levará em consideração os resultados de uma consulta pública de duas semanas sobre os candidatos.
A investigação sobre a origem do vÃrus que provoca a covid-19 tem sido um objetivo constante da OMS, que enviou, logo em fevereiro e depois em julho de 2020, duas equipas de especialistas à China, nomeadamente à cidade de Wuhan, onde foi detetado o primeiro caso da doença.
Pequim reagiu à investigação e foi impondo sucessivos atrasos, o que dificultou a possibilidade de estudar os primeiros vestÃgios da infeção.
Em janeiro deste ano, uma outra equipa de dez investigadores e especialistas da OMS viajou para a China para investigar a origem do coronavÃrus SARS-CoV-2, mas a China continuou a dificultar a recolha de informação, como por exemplo, o nome da primeira vÃtima mortal da covid-19, e a entrada no mercado de Wuhan, considerado como o primeiro grande foco da pandemia.
A equipa acabou por deixar a China em meados de fevereiro, apontando duas teorias preliminares sobre as origens do vÃrus: através de um animal que serviu de hospedeiro intermediário para humanos ou através de algum alimento congelado.
Esta segunda teoria foi defendida pela China repetidamente, durante os primeiros meses da pandemia, após a deteção de vestÃgios do vÃrus em alguns produtos congelados importados pelo paÃs asiático.
A investigação foi um momento extremamente sensÃvel para o regime comunista, cujos órgãos oficiais têm promovido teorias que apontam que o vÃrus teve origem em outros paÃses, situação que se tornou ainda mais complicada pelas acusações do então Presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou que o Instituto de Virologia de Wuhan foi responsável por deixar o vÃrus escapar.
A covid-19 provocou pelo menos 4.861.478 mortes em todo o mundo, entre mais de 238,59 milhões infeções pelo novo coronavÃrus registadas desde o inÃcio da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência AFP.
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