
Lisboa, 23 jun 2021 (Lusa) — Contribuir para que a população fique “imune à desinformação” sobre as vacinas é o principal objetivo de uma nova plataforma digital hoje lançada pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa (IHMT-Nova).
O projeto Imune.pt pretende “garantir a toda a população o acesso a informação correta, factual e idónea sobre vacinas e imunização que possa ser facilmente entendÃvel por qualquer pessoa, independentemente do seu nÃvel de conhecimento prévio sobre este tema”, adiantou a agência Lusa o diretor do IHMT-Nova.
Segundo Filomeno Fortes, este projeto, também dirigido aos paÃses lusófonos, surge “num contexto de proliferação de desinformação e de fake-news” sobre a pandemia, com a questão das vacinas a “marcar a agenda mediática” nos últimos meses.
“Perante um volume enorme de informação proveniente de várias fontes, os cidadãos ficaram numa posição de não perceberem qual a qualidade das vacinas, que segurança essas vacinas poderão ter, qual poderá ser a sua eficácia e em que vacina poderão confiar”, adiantou o especialista em saúde pública.
Apesar de não se limitar à s vacinas contra a covid-19, o Imune.pt “vai dar uma particular atenção à questão da pandemia”, adiantou ainda o Filomeno Fortes, para quem este é o momento de se lançar uma “campanha de literacia sobre saúde e vacinação para tornar este público menos vulnerável à desinformação”.
Segundo o epidemiologista, a disponibilização de informação correta e de base cientÃfica sobre as vacinas e a imunização vai ser também pertinente quando Portugal atingir uma boa cobertura vacinal contra o vÃrus SARS-CoV-2, altura em que se vai verificar o que “já está a acontecer nos Estados Unidos em relação à covid-19”.
“Vai se atingir uma determinada cobertura vacinal e de certeza absoluta que o Ministério da Saúde vai se confrontar com um limiar de cobertura vacinal que depois vai ser muito difÃcil ultrapassar. Vão surgir os 10%, 15%, 20% de cidadãos que, à partida, não se querem vacinar, porque não estão devidamente sensibilizados e informados”, referiu Filomeno Fortes, ao adiantar que a plataforma pode dar um “contributo para esse aumento da cobertura”.
Assumindo-se como “instituição de ligação entre Portugal e os paÃses lusófonos”, o IHMT-Nova, desde o inÃcio da pandemia, reforçou o papel de interlocutor privilegiado no esclarecimento e disseminação do conhecimento sobre a pandemia, sobretudo, nos paÃses africanos de lÃngua oficial portuguesa (PALOP), disse.
“Nós temos uma ligação especial com os PALOP e achamos, quando eclodiu a pandemia, que deverÃamos ter um papel mais pró-ativo”, avançando agora para a criação do Imune.pt, explicou o antigo diretor nacional do controlo de endemias de Angola.
A plataforma integra um menu sobre “vacinação”, que disponibiliza informação sobre o tema das vacinas em geral, respetivos benefÃcios, contributos para a saúde global e mecanismos de aprovação e segurança.
Tem também uma área reservada à “covid-19”, onde é possÃvel ter acesso a informação detalhada sobre as vacinas especÃficas para evitar a infeção, sobre como se transmite o vÃrus, que variantes existem e quais as medidas de prevenção mais eficazes.
Disponibiliza ainda uma área de “respostas diretas”, com esclarecimentos sobre a vacinação da covid-19 e a vacinação em geral, uma área denominada “à descoberta”, onde são disponibilizadas notÃcias e curiosidades sobre vacinação e, por fim, uma área intitulada “epidemias em imagem” que partilha uma visão sobre a história das epidemias e da imunização.Â
O Imune.pt é produzido por um corpo editorial, com o apoio de uma comissão editorial especializada, constituÃda pela equipa cientÃfica do próprio instituto.
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