
Lisboa, 17 nov 2021 (Lusa) — A ministra de Estado e da Presidência disse hoje que o agravamento do número de casos diários de covid-19 deixa “evidente” que será necessário tomar mais medidas, ainda que não preveja restrições ao nÃvel das adotadas no passado.
Mariana Vieira da Silva adiantou que as medidas só serão decididas após a reunião com os especialistas, prevista para sexta-feira.
Questionada pelos jornalistas à margem do 1.º Fórum Portugal Contra a Violência, que decorre hoje e quinta-feira na reitoria da Universidade Nova de Lisboa, a ministra não se quis comprometer com medidas concretas a ser adotadas para fazer face crescimento de casos de covid-19 nem com restrições que possam vir a estar em vigor no perÃodo das festas de Natal e Ano Novo.
“Estão em cima da mesa as medidas que forem consideradas necessárias para não deixarmos crescer o número de casos. Face ao número de casos temos hoje menos internamentos, menos mortos do que no passado tivemos com estes números. É preciso agora saber que medidas são necessárias. Não prevemos medidas com um nÃvel e com a gravidade que já foram tomadas no passado, porque a população está mais protegida, mas não deixaremos de tomar as medidas necessárias”, disse a ministra.
Sobre as afirmações do Presidente da República, que considerou “evidente” a necessidade de regressar ao uso obrigatório de máscara na rua como medida de proteção, Mariana Vieira da Silva referiu que o que ouviu Marcelo Rebelo de Sousa afirmar foi a necessidade de esperar pela opinião dos especialistas.
“Parece evidente que perante o agravamento do número de casos temos que tomar mais medidas. Quais são é preciso ouvir os especialistas. Esse é um grande ganho que tivemos neste processo, que fez também os portugueses vacinarem-se de forma massiva, ao contrário do que aconteceu noutros paÃses, o que nos coloca numa situação de maior proteção. Agora vamos ouvir os peritos face a esta situação que medidas têm que ser tomadas e tomaremos as medidas”, disse.
O Governo agendou para sexta-feira uma nova reunião no Infarmed, da qual espera recolher informação para que o Conselho de Ministros possa decidir que medidas devem ser adotadas, mas fá-lo-á “no seu tempo” e ouvindo também os partidos polÃticos, sublinhou Mariana Vieira da Silva.
“Nós vivemos numa situação em que é importante que exista um compromisso nacional alargado para estas medidas e é nisso que estamos a trabalhar. Teremos tempo para falar sobre as medidas. Agora é tempo de trabalhar, com os especialistas primeiro, com os partidos polÃticos depois, para tomar as medidas necessárias. Aquilo que o Governo garante, como garantiu sempre, é que nunca deixará de tomar as medidas que sejam consideradas necessárias”, disse.
O primeiro-ministro, António Costa, convocou para sexta-feira uma reunião sobre a evolução da situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, juntando especialistas e polÃticos no Infarmed, em Lisboa.
A reunião está prevista para as 15:00, tendo a participação pela parte polÃtica do chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, e de representantes dos partidos com representação parlamentar.
A última reunião no Infarmed, em Lisboa, realizou-se no passado dia 16 de setembro, numa conjuntura em que Portugal registava progressos acentuados na evolução da taxa de vacinação, uma redução da incidência e do Ãndice de transmissão (Rt) da covid-19.
A reunião desta sexta-feira realiza-se numa altura em que está em marcha o processo de vacinação dos maiores de 65 anos e de profissionais de saúde com uma terceira dose da vacina contra a covid-19.
Ao contrário da tendência de setembro, esta reunião vai acontecer numa altura em que Portugal regista um crescimento tanto da incidência da doença, como do indicador de transmissão.
A covid-19 provocou pelo menos 5.105.488 mortes em todo o mundo, entre mais de 253,71 milhões infeções pelo novo coronavÃrus registadas desde o inÃcio da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.
Em Portugal, desde março de 2020, morreram 18.274 pessoas e foram contabilizados 1.110.155 casos de infeção, segundo dados da Direção-Geral da Saúde.
A doença respiratória é provocada pelo coronavÃrus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em vários paÃses.
IMA (PMF) // SB
Lusa/Fim



