COVID-19: METADE ARRISCA DESEMPREGO NOS TRANSPORTES MOÇAMBICANOS – ASSOCIAÇÃO

Maputo, 11 jun 2020 (Lusa) – Metade dos trabalhadores do setor dos transportes em Moçambique está em risco de desemprego e 1.200 foram já suspensos devido à covid-19, anunciou hoje a Confederação das Associações Económicas (CTA) moçambicana.

“O encerramento das fronteiras para a circulação de pessoas paralisou os ramos de transporte rodoviário internacional de passageiros e o transporte aéreo”, justificou Faruque Assubuji, vice-presidente para o pelouro dos transportes na CTA.

O setor de transportes em Moçambique acumulou prejuízos de 7.594 milhões de meticais (95,8 milhões de euros) nos últimos três meses, devido ao impacto da pandemia, segundo as contas da principal associação patronal do país.

O setor está a ser afetado pelas restrições de lotação nos transportes coletivos, rotatividade de trabalhadores, encerramento de escolas e de todos os serviços não essenciais, avançou Faruque Assubuji.

Adicionalmente, “o encerramento das fronteiras para a circulação de pessoas paralisou os ramos de transporte rodoviário internacional de passageiros e o transporte aéreo”, acrescentou.

O vice-presidente para o pelouro dos transportes referiu que o impacto negativo da covid-19 aprofundou uma crise que uma parte do setor rodoviário já enfrentava devido aos ataques armados no centro e norte de Moçambique.

“O ramo rodoviário interprovincial de passageiros e carga vem, adicionalmente, sendo afetado pela tensão político-militar na região centro do país, bem como pela situação dos ataques de insurgentes na província de Cabo Delgado”, frisou Faruque Assubuji.

O transporte de passageiros interprovincial registou uma perda de receitas de 3.144 milhões de meticais (39,7 milhões de euros), o equivalente a 85%.

O transporte rodoviário de carga está também a ser negativamente atingido pelas restrições impostas no contexto da covid-19, frisou.

“Não obstante a permissão da circulação de mercadorias internas, a suspensão da atividade das empresas levou ao esfriamento do transporte de carga pela impossibilidade de trânsito internacional de mercadorias consideradas essenciais”, declarou Faruque Assubuji.

Em relação ao transporte aéreo, o serviço internacional deixou de se realizar e no mercado doméstico quase desapareceu: a operação caiu 85%.

A atividade do setor marítimo conheceu uma redução de 30% para o segmento de carga geral e de 48% na área de pescas.

“O volume de faturação sofre pressão quando a quantidade de navios se reduz. Por outro lado, regista-se também alguma demora na liquidação de faturas, quer internas, quer internacionais”, concluiu o presidente do pelouro dos transportes da CTA.

Moçambique tem um total acumulado de 472 casos de infeção pelo novo coronavírus, com duas mortes e 138 recuperados.

A nível mundial, a pandemia provocou já mais de 416 mil mortos, incluindo 5.678 em África, onde há mais de 209 mil infetados em 54 países.

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