
Lisboa, 02 nov 2020 (Lusa) — O bastonário da Ordem dos Psicólogos alertou hoje para a importância de uma comunicação clara sobre a pandemia de covid-19 e mais direcionadas para as pessoas a quem as mensagens afetam, apontando o cansaço acumulado da população. Â
“Ajudará que as pessoas não se sintam tão depressa exaustas se a comunicação for ajustada, se a comunicação tiver a ver com o alvo”, explicou Francisco Rodrigues.
Em declarações à agência Lusa, o bastonário comentava um estudo da Organização Mundial da Saúde que revela que 60% já sente cansaço em relação à pandemia, que em Portugal já dura há cerca de oito meses.
“Numa crise como a que estamos a viver, em que muitos dos nossos hábitos são alterados, vamos sentindo, em muitas das dimensões da nossa vida, desgaste”, disse, explicando que esse cansaço decorre do recurso permanente à s competências internas para lidar com a ansiedade.
No entanto, ainda que todas as pessoas disponham dessas competências, não as têm em nÃveis idênticos e, por isso, o cansaço normal decorrente do prolongar da pandemia da covid-19 também não se manifesta de igual forma e em igual ritmo.
É também nesse sentido que Francisco Rodrigues refere que a comunicação e as mensagens, importantes na minimização dos impactos psicológicos da pandemia, devem ser claras e direcionadas.
“A mensagem é muito importante na sua clareza, mas para ser percebida tem de ser dirigida a quem aquela mensagem tem de chegar. Porque a mesma mensagem pode não ser adequada para outra pessoa”, justificou.
Para clarificar, o bastonário deu o exemplo da conferência de imprensa de sábado, após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, em que o primeiro-ministro, António Costa, anunciou um conjunto de novas medidas que não se aplicam a todo o paÃs.
“Uma coisa é comunicar ‘fiquem todos em casa’ e toda a gente tinha de ficar em casa. Outra coisa é comunicar mensagens muito diferentes, quase de pessoa para pessoa”, considerou, acrescentando que a melhor forma de o fazer era também através de canais diferenciados.
“Quem estiver do lado das autoridades de saúde tem de tentar fazer o possÃvel de fazer chegar a melhor mensagem, a melhor explicação das medidas ou do que é necessário fazer pelo canal mais direto possÃvel para não contaminar outras pessoas para quem a mensagem vai ter de ser diferente”, acrescentou Francisco Rodrigues, admitindo que “é difÃcil e não há uma resposta fácil para isto”.
Além do cansaço, o bastonário alerta ainda que o cansaço pode provocar a indiferença, decorrente de uma perceção mais reduzida do risco, de uma habituação à presença do novo coronavÃrus.
“Isso pode fazer com que as pessoas deixem de ter cuidados alguns. Esse é um dos perigos que pode advir daqui”, avisou, reiterando a importante de as autoridades repensarem a comunicação.
Por outro lado, Francisco Rodrigues sublinhou que, ainda assim, os efeitos psicológicos da pandemia vão continuar a fazer-se sentir e a afetar cada vez mais pessoas, apelando por isso a um reforço do apoio psicológico que vá além da linha de Aconselhamento Psicológico do SNS24 que, apesar de positiva, não é suficiente.
Portugal ultrapassou hoje os máximos de óbitos e internamentos por covid-19 desde o inÃcio da pandemia com o registo de 46 mortos e 2.255 doentes internados, 294 dos quais em cuidados intensivos, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).
De acordo com o boletim epidemiológico da DGS hoje divulgado, Portugal regista hoje 2.506 casos, abaixo dos 3.062 notificados no domingo, e 146.847 casos confirmados de infeção pelo novo coronavÃrus, além de 2.590 óbitos.Â
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MYCA // JLS
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