
Pequim, 22 mar 2022 (Lusa) — Mais de 70 funcionários chineses foram demitidos ou punidos, nas últimas semanas, por negligência na prevenção de surtos de covid-19, que se alastraram a várias provÃncias do paÃs, informou hoje um jornal de Hong Kong.
A China, que mantém uma polÃtica rÃgida de “tolerância zero” ao coronavÃrus, está a passar por uma onda de infeções atribuÃda à altamente contagiosa variante Ómicron, que causou mais de 20.000 casos desde o inÃcio do mês.
Aquele número é inédito no paÃs, desde o surto inicial de Wuhan, no primeiro trimestre de 2020. O aumento de casos assintomáticos complicou as tarefas de prevenção para detetar novas infeções a tempo.
De acordo com o jornal South China Morining Post (SCMP), pelo menos 74 funcionários foram demitidos ou repreendidos pela “má resposta” à vaga de casos.
A Comissão de Disciplina do Partido Comunista Chinês (PCC) “está muito atenta ao desempenho dos funcionários provinciais durante este surto. Os que falharem nas tarefas, podem esquecer uma promoção”, disse uma fonte citada pelo SCMP.
As punições também afetam quadros importantes do PCC.
Na provÃncia de Jilin – que registou milhares de casos nos últimos dias -, o prefeito da cidade com o mesmo nome e o chefe da Comissão de Saúde de Changchun, a capital de provÃncia, foram demitidos.
Na quinta-feira passada, o Presidente chinês e secretário-geral do PCC, Xi Jinping, ordenou, durante uma reunião do Politburo — a cúpula do poder na China – que os funcionários persistam na polÃtica de zero casos e na eliminação das cadeias de transmissão do vÃrus o “mais rápido possÃvel”.
“A resposta à covid-19 demonstrou a nossa força e capacidade de controlar a epidemia. Mostrou as vantagens do sistema socialista. A vitória vem da perseverança”, afirmou o lÃder comunista.
A estratégia chinesa implica o encerramento de fronteiras, medidas de confinamento restritas e testes em massa, sempre que são detetados casos.
No entanto, as autoridades agora têm a difÃcil tarefa de prevenir surtos, mas também de não implementar “restrições excessivas” que afetem a economia.
Especialistas citados pelo SCMP garantem que as punições das últimas semanas atingem principalmente aqueles que falharam “redondamente”, como no caso dos demitidos em Jilin, e que os demais recebem apenas “reprimendas que não têm consequências a longo prazo”.
Desde o inÃcio da pandemia, o Governo chinês demitiu ou repreendeu mais de 1.000 funcionários pelo mau desempenho na contenção da covid-19, segundo o jornal.
Pelas contas da Comissão Nacional de Saúde da China, desde o inÃcio da pandemia, 134.564 pessoas foram infetadas e 4.638 morreram no paÃs.
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