
Nações Unidas, Nova Iorque, 30 abr 2020 (Lusa) — O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, criticou hoje a falta de liderança na resposta ao novo coronavÃrus e a escassa solidariedade demonstrada pelas potências para com os paÃses mais desfavorecidos.
“Estou particularmente preocupado com a falta de solidariedade com os paÃses em desenvolvimento na resposta à pandemia do novo coronavÃrus, que pode estender-se como um incêndio, e na resposta aos dramáticos impactos sociais e económicos”, disse Guterres durante uma conferência de imprensa virtual.
O secretário-geral da ONU lamentou que os dirigentes do G-20 tenham recusado a sua proposta de estabelecer um mecanismo de coordenação das suas ações em resposta à doença e estejam a atuar cada um por seu lado, o que cria o risco de o vÃrus não desaparecer, mas, sim, que passe de um lado para outro.
“É infeliz que não tenha sido possÃvel para a comunidade internacional encontrar um mecanismo de liderança sólida em relação à luta contra a pandemia”, assinalou.
Questionado sobre essa alegada falta de liderança internacional, Guterres considerou “evidente” que há uma carência e que a comunidade internacional “está dividida no momento em que seria importante mais do que nunca estar unida”.
A China, onde se iniciou o vÃrus, e os EUA, a grande potência global e o paÃs mais afetado, mantêm um duro confronto a propósito do novo coronavÃrus, que impediu grandes iniciativas mundiais e que se tornou claro no Conselho de Segurança da ONU, onde as suas diferenças têm impedido até agora a aprovação de uma resolução sobre a pandemia.
A este propósito, Guterres recordou que a relação entre as grandes potências é, nos dias de hoje, “muito disfuncional”, o que complica a tomada de decisões no Conselho.
O dirigente da ONU defendeu a necessidade de que todos os Estados, mas sobretudo os mais poderosos, sejam capazes de alcançar consensos para atuar de forma efetiva, tanto no âmbito sanitário, como quanto aos desafios da paz e segurança que a pandemia coloca, para que exista uma recuperação adequada.
A nÃvel global, segundo um balanço da agência de notÃcias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 230 mil mortos e infetou mais de 3,2 milhões de pessoas em 195 paÃses e territórios.Â
Cerca de 908 mil doentes foram considerados curados.
A doença é transmitida por um novo coronavÃrus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
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