
Washington, 01 abr 2021 (Lusa) – O Fundo Monetário Internacional (FMI) defende o investimento no reforço dos setores da saúde, social e educacional para reduzir desigualdades acentuadas durante a pandemia de covid-19, segundo um capÃtulo do Monitor Fiscal hoje divulgado.
“Os decisores polÃticos fariam bem em se focar nas redes de apoio social, cuidados de saúde e serviços de educação que estiveram debaixo de ‘stress’ severo devido à covid-19”, pode ler-se no documento conhecido hoje.
A pandemia “afeta desproporcionalmente os grupos mais vulneráveis”, e por isso “a pobreza e desigualdade deverão subir”, segundo a instituição liderada por Kristalina Georgieva.
As medidas defendidas pelo FMI no texto vão desde gastos “de emergência no curto prazo” no setor da saúde, incluindo “para campanhas de vacinação”, bem como, na educação, para “apoiar o ensino à distância”.
“Ainda assim, a maioria das polÃticas públicas para reduzir a desigualdade e fomentar oportunidades serão similares à quelas que teriam sido apropriadas antes da pandemia”, segundo a instituição sediada em Washington.
O FMI refere, em primeiro lugar, a existência de polÃticas predistributivas, que “reduzem a desigualdade de rendimentos no mercado (antes de impostos e transferências) e fomentam o crescimento inclusivo”.
Já as polÃticas redistributivas podem “reduzir a pobreza e a desigualdade do rendimento disponÃvel (depois de impostos e transferências) e melhorar o acesso a serviços básicos no curto prazo, ao redistribuir rendimentos para agregados domésticos de rendimentos mais baixos”
O FMI defende que os governos “devem ter uma visão holÃstica na identificação de fontes de baixa mobilidade intergeracional e alta desigualdade, moldando as polÃticas para circunstâncias especÃficas de cada paÃs”.
Nas polÃticas de acesso a serviços básicos, o investimento público “pode compensar, em parte, compensar o intervalo dos investimentos privados nas crianças entre pais ricos e pais pobres”.
O FMI refere também que a transformação económica acelerada pela pandemia “pede maiores esforços para ajudar os trabalhadores a adaptarem-se a mudanças para trabalhos que requerem competências cognitivas de maior nÃvel”.
Quanto a impostos e a transferências sociais, o FMI sublinha a falta de cobertura de algumas franjas da população, defendendo que para melhorar esse aspeto, “os governos precisam de registos sociais abrangentes, incluindo aqueles que cubram o setor informal”.
“O acesso a serviços básicos ajuda a dar a todos uma oportunidade justa, mas é custoso”, refere o FMI, ressalvando que à medida que se aumentam os gastos “as ineficiências devem ser reduzidas”
“Quer os governos invistam na educação, cuidados de saúde, infraestruturas ou redes de apoio social, irão encontrar escolhas de polÃtica difÃceis sobre como financiar estes gastos cruciais”, pode ainda ler-se no documento, dado o “espaço orçamental limitado” em alguns casos.
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