
Bruxelas, 07 jan 2021 (Lusa) — O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) não recomenda menos tempo de isolamento para não vacinados anticovid-19, mas admite-o para os inoculados, embora avisando que, quanto mais curto for este perÃodo, maior o “risco residual”.
“O ECDC está atualmente a rever as orientações de isolamento para casos de covid-19 e a fazer uma análise mais especializada da literatura disponÃvel sobre carga viral e alÃvio [do isolamento]. Para indivÃduos não vacinados contra a covid-19, não existem provas que permitam diminuir o perÃodo de isolamento”, considera a agência europeia, numa resposta escrita enviada à agência Lusa.
A posição surge depois de, na passada quarta-feira, a Direção-Geral da Saúde (DGS), em Portugal, ter atualizado as normas que reduzem o perÃodo de isolamento para as pessoas assintomáticas que testam positivo ao SARS-CoV-2 e têm doença ligeira bem como para os contactos de alto risco.
Dias antes, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos recomendou a redução do perÃodo de isolamento para casos positivos de covid-19 de 10 para cinco dias, sendo que, após esse tempo e por mais cinco dias, as pessoas devem cumprir medidas como uso obrigatório de máscara quando em contacto com outros.
Questionado sobre esta redução do perÃodo de isolamento, o ECDC reconhece que, “em situações de elevado ónus [para os paÃses], poderá ser necessária uma abordagem mais pragmática na qual sejam tidas em conta considerações adicionais, especialmente no que diz respeito aos trabalhadores essenciais”, mostrando-se assim favorável a uma redução para os vacinados contra a covid-19.
Ainda assim, a agência europeia avisa que, “ao decidir sobre orientações de isolamento reduzidas, os Estados-membros [da União Europeia] devem ter em conta a situação epidemiológica local, a capacidade de teste do cenário e os efeitos socioeconómicos da pandemia no cenário especÃfico”.
“Como regra, quanto mais curto for o perÃodo de isolamento, maior será o risco residual, pelo que a redução do perÃodo de isolamento requer um equilÃbrio de probabilidades e uma decisão sobre quanto risco residual de transmissão se está disposto a aceitar”, avisa esta agência europeia de aconselhamento aos paÃses.
Em Portugal, a DGS reduziu de 10 para sete dias o perÃodo de isolamento para quem testa positivo à infeção por SARS-CoV-2, desde que não tenha sintomas. Vai ser igualmente reduzido para sete dias, a partir da próxima segunda-feira, o perÃodo de isolamento do contacto de alto risco.
Contudo, os contactos de alto risco que estiverem completamente vacinados contra a covid-19 e já tiverem levado a dose de reforço não precisam de cumprir isolamento, mesmo que coabitem com um caso positivo.
As pessoas em perÃodo de recuperação também não precisam de ficar em isolamento.
As medidas, que visam aliviar a carga sobre as economias dos paÃses, surgem numa altura de elevado ressurgimento de casos por infeção com o SARS-CoV-2, que ainda assim não se traduziu em mais internamentos ou mortes.
Isso também se deve à cobertura vacinal, que é de 68,5% para a população total na União Europeia e de 79,9% para os adultos europeus, de acordo com dados do ECDC.
A contribuir para o elevado número de casos, que batem máximos, está a elevada transmissibilidade da variante de preocupação Ómicron.
O ECDC adianta à Lusa que “a situação atual, com o rápido aumento dos casos de Ómicron, não é inesperada”, já que a agência já tinha estimado que esta estirpe “se tornaria provavelmente a variante dominante na UE/EEE [União Europeia e Espaço Económico Europeu no inÃcio de 2022”.
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