
Lisboa, 11 set 2022 (Lusa) — A escola não vai voltar à quilo que era até 2019, mas os diretores esperam que o novo ano letivo, que arranca a partir de terça-feira, traga uma nova normalidade apesar da pandemia de covid-19.
Pela primeira vez em dois anos, os diretores escolares prepararam o inÃcio do novo ano letivo sem a covid-19 no topo das suas preocupações, para um regresso à s aulas quase a lembrar o perÃodo pré-pandemia, mas refletindo tudo aquilo que as escolas aprenderam entretanto.
É o regresso possÃvel a uma normalidade que pais, professores e alunos desejavam. “Acho que, nesse aspeto, o céu está azul”, disse à agência Lusa o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).
Segundo Filinto Lima, as escolas prepararam-se para o novo ano letivo, que arranca entre terça-feira e sexta-feira, mais ou menos como prepararam o inÃcio do ano letivo de 2019/2020, o último antes da pandemia e que começou sem quaisquer restrições.
Desde então, máscaras obrigatórias, distanciamento fÃsico, horários desfasados, turmas organizadas em “bolhas”, circuitos para entrar e sair da escola, ou planos de contingência com o que fazer em caso de surtos de covid-19 passaram a fazer parte das preocupações dos diretores a esta altura.
No próximo ano, essas restrições já não farão parte do quotidiano dos alunos, mas o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) sublinha que a pandemia da covid-19 não está ultrapassada.
“A escola de hoje não é a escola de 2019”, afirmou Manuel Pereira, sustentando que apesar de já não vigorarem medidas restritivas, as escolas também aprenderam algumas lições com a pandemia que se vão refletir nas pequenas coisas, por exemplo, o reforço da higienização dos espaços.
“Os tempos novos têm de ser vividos à luz do que se aprendeu nos tempos passados, e vamos ter de continuar a viver com a pandemia”, acrescentou o diretor que, por exemplo, quanto ao uso de máscara, considera positivo os alunos o façam nos transportes públicos, apesar de já não ser obrigatório.
Por outro lado, algumas escolas vão manter igualmente os planos de contingência e o contacto próximo com as autoridades de saúde para evitarem, tanto quando possÃvel, casos de infeção e para saberem o que fazer se isso acontecer.
“Toda a gente deseja a normalidade”, acrescenta, por sua vez, a presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), que admitiu que uma das principais preocupações dos pais em vésperas do regresso à s aulas se prende com a saúde mental dos alunos e professores depois de três anos com constrangimentos devido à pandemia.
A atual situação epidemiológica permite que assim seja, mas o Governo não afasta a possibilidade de, com a chegada do outono e inverno, a situação se agrave e implique medidas adicionais.
Os diretores esperam que eventuais medidas não voltem a afetar as escolas e o ensino, mas asseguram que, se for necessário, também estão preparados para isso.
“Estamos muito melhor preparados e já temos muita experiência com os meios digitais e em aplicá-los nas aulas à distância”, afirmou Filinto Lima, recordando que esse foi o grande desafio quando as escolas encerraram em 2020, mas, após dois anos com novos perÃodos de aulas ensino ‘online’, deixou de ser impeditivo. Â
Da parte da Confap, Mariana Carvalho concorda que entre as várias medidas implementadas devido à covid-19, algumas poderão continuar a ser vantajosas neste novo perÃodo, como o reforço da higienização dos espaços e algum desfasamento de horários que permita facilitar a circulação à entrada das escolas.
Por outro lado, a representante dos pais alerta que para algumas crianças esse regresso à normalidade poderá ser estranho e, por isso, sublinha a necessidade de as escolas estarem também atentas a esse aspeto.
“Acredito que conseguirÃamos ajudar toda a comunidade educativa criando equipas multidisciplinares que estivessem presentes nas escolas e próximas das comunidades”, acrescenta.
Esse é também um dos eixos do Plano 21|23 Escola+, para a recuperação das aprendizagens afetadas durante a pandemia, que destaca igualmente o bem-estar da comunidade escolar e se vai manter durante o próximo ano letivo.
Â
MYCA // HB
Lusa/Fim
Â



