
Lisboa, 15 jan 2021 (Lusa)- A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) considera que o risco de crédito é um dos “três riscos fundamentais” em 2021, a par do risco de mercado e riscos ambientais e sociais, segundo a presidente Gabriela Figueiredo Dias.
“Neste exercÃcio identificámos três riscos fundamentais para 2021: risco de crédito, risco do mercado e riscos ambientais e sociais”, disse aos jornalistas a presidente da CMVM, numa conferência de imprensa realizada por videoconferência relativa à s prioridades do regulador para este ano.
Relativamente ao risco de crédito, “este havia já sido identificado em 2019 como um possÃvel risco relevante ou muito relevante para 2020, e naturalmente que não poderÃamos ter antecipado o nÃvel de impactos que vieram efetivamente a verificar-se por força da crise pandémica”, disse a responsável máxima do regulador do mercado.
Segundo Gabriela Figueiredo Dias, esse impacto do risco de crédito aconteceu “designadamente nas empresas não financeiras, nas famÃlias e nos Estados, ou governos, nos orçamentos públicos”.
“Este foi um risco que se materializou em 2020 mas que prevemos e que antecipamos que em 2021 possa ser fortemente agravado, designadamente em face do agravamento das circunstâncias pandémicas e uma situação de novo confinamento, e dos consequentes impactos que daà advêm, designadamente em termos de possÃveis – eu diria prováveis ou inevitáveis – situações de insolvência que geram depois riscos adicionais de crédito”, sustentou a presidente da CMVM.
Gabriela Figueiredo Dias vincou também a “incerteza” gerada nos mercados devido à situação pandémica e riscos associados, elencando também a “dificuldade de avaliação dos ativos em face da volatilidade dos mercados e dos preços”, associada a falta de liquidez, algo que consubstancia o “risco significativo” para os investidores.
A responsável falou ainda dos riscos de conduta no mercado decorrentes da pandemia, como “a procura de retornos mais significativos por parte dos investidores e a tomada de maior risco”, “a maior agressividade na colocação de produtos por parte dos emitentes ou originadores, eles próprios a braços com dificuldades financeiras”, e ainda riscos “relacionados com os custos e comissões associados a investimentos financeiros, que são “excessivamente não comparáveis e por vezes diluem o retorno anunciado”, sendo “um risco significativo para a própria confiança no mercado”.
Quanto aos riscos ambientais, sociais e de governo societário (ESG), “estão em força, de forma muito significativa e com exemplos já muito concretos, a entrar no nosso perÃmetro e no nosso espaço de intervenção como supervisores”, disse a presidente da CMVM.
“Invadiram de forma inevitável a atividade dos próprios supervisionados, e nós, como supervisores, temos de estar atentos aos riscos que daà decorrem, fundamentalmente em termos informativos”, completou.
Gabriela Figueiredo Dias referia-se aos riscos de ‘greenwashing’, ou seja, “o aproveitamento desta onda de favorecimento positiva dos temas ESG, mas daquilo que as empresas associado a este tema possam querer dizer aos seus supervisionados de forma não integralmente adequada, correta e ajustada”.
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