
Pequim, 08 jun 2020 (Lusa) – A China rejeitou no domingo que as suas relações com o resto do mundo tenham sido prejudicadas pela pandemia da covid-19 e insistiu que foi transparente na partilha de informação sobre o novo coronavÃrus.
Na apresentação do livro branco sobre os esforços realizados pela China no combate à pandemia, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Ma Zhaoxu, considerou que, “pelo contrário, as relações da China com a maioria dos outros paÃses melhoraram com a pandemia”.
“Poucos paÃses foram contra a maré da História e lançaram insanamente uma campanha de difamação contra a China, tendo fabricado rumores e disseminado o vÃrus polÃtico, através de todos os meios possÃveis”, disse Ma, em conferência de imprensa.
Intitulado “Fighting COVID-19: China in Action” (“A Luta Contra a Covid-19: a China em Ação”), o livro branco foi divulgado num perÃodo de reação global sobre a resposta da China à pandemia, que começou na cidade de Wuhan, centro do paÃs, antes de se alastrar pelo mundo.
A pandemia surgiu também numa altura de renovadas tensões entre Pequim e Washington. Os Estados Unidos passaram, nos últimos anos, a definir a China como a sua “principal ameaça”, apostando numa estratégia de contenção das ambições chinesas que resultou já numa guerra comercial e tecnológica.
A Europa tem tentado um equilÃbrio nas relações com Pequim, que considera simultaneamente um “rival” que “promove modelos alternativos de governação”, um “concorrente económico na corrida da liderança tecnológica”, mas também um “parceiro” em áreas como as alterações climáticas ou o multilateralismo, mas a pandemia parece ter complicado a relação, com vários lÃderes europeus a expressarem publicamente insatisfação para com Pequim.
Em causa está, por exemplo, a discrepância entre a taxa de letalidade do vÃrus, que se revelou ser mais do dobro em vários paÃses europeus do que os números apresentados pela China sugeriram, ou a pressão diplomática exercida por Pequim, em fevereiro passado, durante o pico da crise no paÃs, contra o encerramento de fronteiras e ligações aéreas a viajantes oriundos do paÃs, medidas que classificou então como “vÃrus polÃtico” e “estigmatização”.
O regime chinês, nunca recetivo a crÃticas externas e temendo os danos sobre o seu controlo doméstico, tem respondido agressivamente, combinando campanhas de assistência médica com uma retórica nacionalista, enquanto exige demonstrações de gratidão e faz ameaças económicas.
Na semana passada, a agência Associated Press informou que funcionários da Organização Mundial da Saúde estavam frustrados por a China ter adiado a divulgação de informações sobre a doença em janeiro, custando ao mundo um tempo valioso.
Uma investigação da agência, baseada em documentos internos e dezenas de entrevistas, revelou que, em janeiro, enquanto a Organização Mundial da Saúde elogiava publicamente a China e a sua “resposta rápida” ao surto do novo coronavÃrus, os especialistas da agência das Nações Unidas para a saúde queixavam-se em privado da falta de informação partilhada por Pequim.
Segundo a investigação, as autoridades chinesas atrasaram mais de uma semana a publicação do genoma do novo coronavÃrus, após vários laboratórios públicos o terem descodificado, privando a OMS de informação essencial para combater a pandemia.
No livro branco, o Governo chinês recusou aquelas alegações.
“A China agiu sempre com abertura, transparência e responsabilidade, e informou a comunidade internacional sobre a evolução da epidemia em tempo útil”, apontou Ma. “A China rejeita categoricamente qualquer acusação desse tipo”, afirmou.
Segundo o vice-ministro, Pequim não tem planos de aliviar as restrições à s viagens internacionais, apesar de ter já declarado vitória sobre o novo coronavÃrus. Há vários dias que o paÃs não deteta casos de contágio local.
“A China está a enfrentar crescente pressão devido à s infeções importadas e não podemos relaxar”, afirmou Ma.
A China proibiu a entrada de cidadãos estrangeiros, incluindo residentes, em 28 de março.
JPI // FPA
Lusa/Fim



