
Évora, 21 mar 2021 (Lusa) – Seis famÃlias do Alentejo, com elementos que trabalhavam na área da Cultura, mas que ficaram sem ocupação, devido à pandemia de covid-19, estão a ser apoiadas pela associação União Audiovisual, com a entrega de cabazes mensais.
“O primeiro pedido de ajuda chegou em setembro” do ano passado e, nessa altura, “começámos a ajudar duas pessoas”, revela à agência Lusa Manuel Chambel, da União Audiovisual.
Mais algumas pessoas fizeram, depois, chegar os seus pedidos de ajuda. “Em dezembro, apareceram mais duas e, em janeiro, outras duas”, conta.
Segundo o dirigente desta associação que apoia profissionais da Cultura, os beneficiários no Alentejo são dois técnicos, três músicos e um artista circense e de rua, oriundos de Évora, Montemor-o-Novo, Beja e Portalegre.
Manuel Chambel, técnico de som a trabalhar para empresas de Évora, decidiu juntar-se à União Audiovisual, logo em abril de 2020, no inÃcio desta associação, quando ainda era um grupo informal, ao saber do projeto pelas redes sociais.
Os cabazes entregues à s famÃlias do Alentejo, com profissionais da Cultura sem trabalho, são constituÃdos por alimentos, produtos frescos e mercearia, e “coisas para casa, como detergentes, gel de banho e champô”, refere.
Os “pontos de recolha”, adianta o responsável, estão a funcionar em lojas de instrumentos musicais, empresas de equipamentos audiovisuais e associações culturais da região, onde qualquer pessoa pode deixar o seu contributo.
“Faço a entrega de cabazes” aos beneficiários “no princÃpio de cada mês”, mas, antes, “entro em contacto com os pontos e agendamos” a recolha dos contributos e, no próprio dia, “compramos os frescos” e o que “não tivermos” em ‘stock’, relata.
O dirigente da União Audiovisual indica que, além destes contributos, os cabazes incluem ainda outras doações, de empresas e autarquias, e os produtos comprados pela associação, com verbas conseguidas através de campanhas.
Mas nem sempre foi assim. Nos primeiros três meses de atividade da União Audiovisual Alentejo, entre abril e julho de 2020, os produtos recolhidos eram levados para Lisboa, uma vez que, nessa altura, não estavam identificadas necessidades na região.
Manuel Chambel conta que o primeiro trabalhador da área da Cultura apoiado no Alentejo foi identificado por um profissional do setor em Lisboa, e que os que se seguiram pediram ajuda através da página na Internet da União Audiovisual.
“As pessoas, à s vezes, têm receio e uma certa vergonha de pedir ajuda e, apesar de termos um ‘site’ a funcionar muito bem, não é fácil” para os profissionais da Cultura recorrerem à plataforma digital para solicitar apoio, admite.
O dirigente acredita que “nos meios mais pequenos as pessoas acabam por ter um apoio diferente” do que nos grandes centros urbanos, com a ajuda das famÃlias, sendo também mais fácil identificar os casos.
“Na nossa área, também não há assim tanta gente e as pessoas que conheço mais diretamente têm apoio e não noto que haja mais alguém que esteja a passar dificuldade, até porque o meio é pequeno e acabamos por nos conhecer quase todos”, salienta.
Ainda assim, Manuel Chambel está otimista e prefere ver “o copo sempre meio cheio e nunca meio vazio”, uma vez que “o ano passado já foi, este ano será igual ou pouco diferente” e, “em 2023, já ninguém se lembrará do covid-19”.
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