
Porto, 18 mar 2021 (Lusa) — Os bancos de jardins da cidade do Porto encheram-se esta semana com reformados, casais de namorados, estudantes, músicos e ‘babysitters’ com bebés, e todos se congratulam pela suspensão da proibição de estar em parques devido à covid-19.
As mesas e bancos do jardim da Praça do Marquês de Pombal, no Porto, voltaram a receber os seus fregueses tradicionais, na maioria reformados à procura de sol e de um banco para dar “duas de letra” com os amigos enquanto bebem um café, comprado ao postigo.
Manuel Costa, bancário reformado, comprou um café e pão fresco e recostou-se num banco de jardim a conviver com o seu amigo Mário Silva, gerente comercial também reformado.
“Finalmente agora posso estar a conviver no jardim com um amigo no banco sem ser multado”, conta, a sorrir, considerando que a medida de interditar as pessoas nos parques e bancos de jardim por um lado foi “má”, porque retirou liberdade à s pessoas lado, mas por outro lado “necessária”.
“As medidas eram necessárias, porque senão era uma rebaldaria”, resume Manuel Costa.
Mário Silva concorda com o amigo: “Era uma medida necessária, por causa das asneiras no Natal”.
Hoje com o aliviar da proibição, Mário assume que está muito mais “feliz”.
Jerónima Amaral também regressou esta semana aos bancos de jardim do Porto e trouxe consigo um bebé no carrinho para apanhar sol e ar puro.
“O isolamento em demasia atrofia a cabeça. Então, para as crianças, apanhar ar é essencial”, defende, afirmando que desde que as pessoas respeitem as restrições, voltar aos jardins é uma maravilha.
O casal Agostinho Santos, 77 anos, e Fernanda Santos, 78 anos, conta que decidiu voltar aos bancos de jardim para “namorar ao sol” e “apanhar vitamina D”.
O casal concorda com as medidas impostas para combater a covid-19, porque reconhece que muitas pessoas se esquecem de colocar a máscara, juntando-se no jardim sem as devidas distâncias.
Num banco de jardim, perto da Avenida dos Aliados, Lucas Santos, estudante de filosofia, toca violoncelo para ganhar a vida, enquanto luta por ser escritor profissional.
Veio do Brasil para Portugal em busca de uma vida melhor em 2019 e conta à agência Lusa que “faz sentido controlar o vÃrus” nem que seja proibindo as pessoas de se sentarem em bancos de jardim.
“Há sempre alternativas. Podemos sentar no passeio. Eu gosto de como em Portugal as coisas são levadas a sério, mas sem agressividade. A polÃcia não é agressiva e as pessoas respeitam”, descreve o jovem brasileiro, assumindo que sente “esperança e paz” com o levantamento das medidas de confinamento.
Lucas Santos e o seu colega da universidade Gustavo Moreira consideram que o confinamento pode, por vezes, ser uma oportunidade para descobertas simples na vida.
“Havia muitos anos que não me sentava na relva para ler e o confinamento deu-nos a oportunidade de voltar à s coisas simples”, recorda Lucas.
Fernanda Marinho também decidiu usufruir dum banco de jardim para conversar com um amigo, até porque considerou a medida de fechar parques e jardins “demasiado dura”.
“Não faz sentido. Já sou uma pessoa um bocado depressiva e o jardim ajuda a ter mais liberdade e a sentir-me melhor. Acho que a abertura dos jardins foi uma medida muito boa para a liberdade individual desde que estejam protegidos por máscara e respeitem as distâncias”
Fernando Sá, bombeiro aposentado, também considerou “absurdo algumas medidas”, como por exemplo, as crianças não poderem brincar num parque ou sentarem-se no jardim.
“Concordo com a abertura dos jardins, porque essa regra era estúpida”.
Cláudia Vasconcelos decidiu ler “A História das Instituições”, de Carlos Marques Almeida, num banco de jardim do Porto, enquanto acompanhava o pai Agostinho de Vasconcelos, 92 anos, repousando ao sol num banco.
“As pessoas vieram em massa para os jardins, porque sentem que estão a ser lesadas na sua liberdade individual”, observou, criticando a medida do Governo de interditar os bancos de jardim.
Para Cláudia Vasconcelos o governo está num “desnorte”.
“Eles [Governo e parlamento] não sabem o que fazem, mas pelo meio vão destruindo as pessoas. A legislação está feita por cretinos que não saem do parlamento. Parecem um bando de incompetentes a fazer leis. Eu sei que o vÃrus é um drama, mas as regras estão a ser um caos e o povo é que está a pagar tudo”, argumenta.
A permanência em parques e bancos de jardim voltou a ser permitida esta segunda-feira passada, dia 15 de março, embora as autarquias tenham o poder de a proibir, de acordo com o decreto-lei que regulamenta o novo estado de emergência.
O comércio ao postigo também foi autorizado pelo Governo a partir dia 15 de março passado, bem como passou a ser permitido reabrir creches, ensino pré-escolas, escolas do primeiro ciclo, cabeleireiros, manicures e estabelecimentos similares, livrarias, comércio automóvel, imediação imobiliária, bibliotecas e arquivos.
Segundo um balanço da agência noticiosa francesa AFP, a pandemia de covid-19, que teve origem no vÃrus SARS-CoV-2 e registou os primeiros casos em dezembro de 2019, já provocou mais de 2,7 milhões de mortes em todo o mundo, em resultado de 120,6 milhões de infetados.
Em Portugal, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde, a covid-19 já causou 16.707 óbitos entre 814.897 casos de infeção confirmados.
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