
Porto, 22 dez 2021 (Lusa) – O presidente da Associação de Bares e Discotecas da Movida do Porto (ABDMP) manifestou hoje “estranheza e alguma revolta” com a forma como o Governo anuncia restrições, sem avançar com apoios ao setor, e admitiu a realização de protestos.
“Aguardamos estes dias até ao Natal para ver se o Governo avança com medidas de apoio, que sejam claras e com ‘timings’, caso isso não aconteça iremos, como no passado, fazer ações de protesto, porque de outra forma o Governo não parece ter bom senso em relação ao nosso setor”, afirmou Miguel Camões.
Em declarações à Lusa a propósito da obrigatoriedade de encerramento das discotecas, em vigor a partir de sábado, no âmbito de um pacote de medidas de combate à covid-19 anunciadas na terça-feira, o presidente da ABDMP disse que “causa sempre alguma estranheza e alguma revolta a insensibilidade como o Governo lida com estas situações”.
“Mais uma vez, é o setor da animação noturna que leva com as medidas e restrições mais pesadas. Com a obrigatoriedade dos testes negativos desde o inÃcio do mês já tÃnhamos tido quebras muito grandes, quer de afluência quer de faturação, e agora, com estas novas medidas e o termos de encerrar a partir de dia 25, ficamos numa situação muito mais difÃcil e delicada”, sublinhou.
O dirigente da associação diz não compreender porque é que “o Governo faz sempre um ‘delay’ enorme, à s vezes de meses, entre as restrições impostas que criam prejuÃzos automáticos e as medidas de apoio”.
“Lembro que já vamos com 22 dias com medidas novas [obrigatoriedade de teste negativo à entrada] e não foi avançado nenhum apoio concreto. Neste momento, com estas novas medidas que se impõem a partir de dia 25, o primeiro-ministro falou em ‘lay-off’ e em apoios, mas não avançou nada de concreto”, sustentou.
Miguel Camões admitiu que “algumas casas encerrem no Natal e não voltem a abrir”.
O responsável criticou ainda “as incoerências” nas medidas anunciadas pelo Governo em relação à s festas de passagem de ano, “ao permitir que possam ser feitas, mas não nas discotecas”.
“Não faz sentido que uma quinta, um pavilhão ou um hotel, com pista de dança e bebidas, como as discotecas, possam fazer um evento de passagem de ano e as discotecas não o possam fazer, quando são locais feitos de raiz com este propósito”, sustentou.
Para os associados da ABDMP, “isto é uma discriminação muito grande em relação ao setor”.
“Vamos expor isto ao Governo porque consideramos uma medida muito injusta, ou seja, é permitido estarem cinco mil pessoas a dançar num pavilhão ou num centro de congressos, mas numa discoteca não”, acrescentou.
A obrigatoriedade de encerramento das discotecas, em vigor a partir das 00:00 de sábado, foi anunciada em conferência de imprensa pelo primeiro-ministro, António Costa, em Lisboa, após um Conselho de Ministros extraordinário em que foi deliberado antecipar também medidas como a obrigatoriedade do teletrabalho, devido ao aumento do número de casos de covid-19.
António Costa referiu que os bares, discotecas e espaços de diversão noturna terão neste perÃodo de encerramento apoios no âmbito do ‘lay-off’ simplificado e do programa Apoiar, para ajudar a suportar os seus custos fixos.
Em contrapartida, segundo o Governo, outros estabelecimentos – como casinos, hotéis e restaurantes – podem manter-se abertos para festas de passagem de ano, exigindo-se que os utentes tenham um teste negativo à covid-19.
“Nós temos que ter em conta que já há um conjunto de iniciativas que estão contratadas, já há pagamentos e que o impacto seria brutal do ponto de vista da vida das famÃlias e também do ponto de vista económico. Portanto, aquilo que nós impusemos é a recomendação de que não se participe, mas, participando-se, só podem participar se tiverem um teste negativo”, justificou o primeiro-ministro, quando questionado sobre a dualidade de critérios em relação a estes estabelecimentos.
Atualmente, os bares e discotecas – que reabriram em outubro pela primeira vez desde o inÃcio da pandemia de covid-19 em Portugal, após 19 meses parados — são acessÃveis apenas com a apresentação de teste negativo (antigénio ou PCR) ou de certificado de recuperação, mesmo para pessoas vacinadas contra o SARS-CoV-2.
Os clientes não têm de usar máscara nestes espaços, ao contrário dos trabalhadores, segundo a Direção-Geral da Saúde.
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