
Paris, 25 abr 2020 (Lusa) — O diretor executivo da Air France-KLM considerou hoje que o regresso à normalidade na atividade depois da crise provocada pela covid-19 vai demorar, “pelo menos, dois anos” e que vai ter uma oferta reduzida nos voos durante “muito tempo”.
“Atualmente, a atividade da Air France está entre 02 a 03% do programa normal de abril. Precisamos de esperar pela reabertura das fronteiras europeias, possivelmente até finais do verão, para poder relançar o nosso programa de longa distância, que se resume neste momento a alguns voos de repatriação e de mercadoria. Também será necessário reabrir fronteiras de paÃses importantes, como os Estados Unidos”, afirmou Benjamin Smith.
As declarações foram feitas em entrevista ao jornal económico francês Les Échos, na qual classificou como difÃcil o regresso aos nÃveis habituais de atividade em menos de dois anos, acrescentando que “durante muito tempo” vão ter de reduzir a frequência das viagens.
No entanto, ressalvou que em destinos importantes, como Tóquio, Los Angeles ou Nova Iorque, há flexibilidade para se adaptarem e manterem os voos diários, por exemplo substituindo os aviões A380 por dispositivos que transportem menos passageiros.
O executivo admitiu que, embora muitas empresas não resistam à crise provocada pela pandemia do coronavÃrus, a sua prioridade é consolidar a posição da Air France no mercado francês, “que ainda oferece possibilidades importantes”, e converter a subsidiária regional HOP! numa empresa lucrativa.
Smith considerou que os empréstimos bancários e do Estado francês no valor de 7.000 milhões de euros, anunciados na sexta-feira, lhes dão os meios para passar pelo perÃodo mais difÃcil dos próximos meses, durante os quais a liquidez corre um risco de alcançar um nÃvel “crÃtico”.
Esse valor vai facilitar também o cumprimento do seu plano de transformação, apresentado em novembro.
“Devemos fazer com que esta crise seja a oportunidade para fazer reformas estruturais que alguns concorrentes já fizeram”, indicou Smith, sobre um roteiro que foi definido para reduzir as emissões em 50% até 2030, continuar a renovar a frota e utilizar biocombustÃveis, tanto quanto for possÃvel.
O diretor-geral comprometeu-se a que o impacto social da transformação da Air France e de uma caÃda duradoura da atividade “seja o menor possÃvel”.
“Somos uma empresa responsável e os nossos trabalhadores são o nosso principal ativo. A última coisa que queremos é perdê-los”, assinalou na entrevista, enfatizando que estão a ser considerados planos de saÃda voluntários num primeiro momento e de formação para os que permanecerem.
Em França, o novo coronavÃrus já provocou 22.245 mortos, em mais de 159.000 casos confirmados.
A nÃvel global, segundo um balanço da agência de notÃcias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou cerca de 198 mil mortos e infetou mais de 2,8 milhões de pessoas em 193 paÃses e territórios.
O “Grande Confinamento” levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 3% em 2020, arrastada por uma contração de 5,9% nos Estados Unidos, de 7,5% na zona euro e de 5,2% no Japão.
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