
Lisboa, 03 nov 2021 (Lusa) — O primeiro-ministro afirmou hoje, perante a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, que fará o que for preciso para que Portugal continue o processo de consolidação orçamental e tenha finanças públicas saudáveis.
“Vamos fazer o que for preciso para garantir finanças públicas saudáveis”, declarou António Costa em inglês, interrompendo o seu discurso em português, durante a sessão solene do 175º aniversário do Banco de Portugal – cerimónia em que, além do governador, Mário Centeno, também esteve presente o ministro de Estado e das Finanças, João Leão.
Na sua intervenção, que não teve qualquer referência direta à atual crise polÃtica portuguesa, o primeiro-ministro avisou que a polÃtica económica, social e orçamental dos governos “não opera de forma isolada e a sua eficácia e o seu alcance são impactados pela atuação dos bancos centrais”.
“As medidas adotadas de forma tempestiva foram essenciais para — e ao contrário do que aconteceu na crise financeira anterior – assegurar estabilidade financeira, garantir a necessária provisão de liquidez e evitar a fragmentação dos mercados que, num contexto de elevada incerteza, teria impedido as respostas nacionais em muitos Estados-membros.
Essas polÃticas, de acordo com o primeiro-ministro, “complementaram a ação dos governos ou criaram espaço para essa ação, e assim, ajudaram a que, por exemplo, no caso português”. António Costa disse então que os custos da emissão de dÃvida pública mantiveram-se “em mÃnimos históricos, e em cerca de metade dos custos de 2019 (1,1% em 2019; 0,5% em 2020; 0,6% em 2021)”.
“Ao contrário da anterior crise, as empresas não vissem o seu acesso ao crédito limitado, num perÃodo particularmente crÃtico da sua atividade; as taxas de juro enfrentadas pelas empresas se mantivessem em mÃnimos históricos”, completou.
Na União Europeia, segundo António Costa, foi possÃvel responder à crise pandémica da covid-19 com “uma resposta Ãmpar e una”.
Agora, acentuou o lÃder do executivo português, “depois da forte contração da generalidade das economias em 2020, assiste-se a uma recuperação em todos os paÃses europeus, acima mesmo das previsões feitas há um ano”.
“No caso português, o emprego está já acima do nÃvel pré-pandemia e o desemprego a um nÃvel inferior ao registado também antes da pandemia. Por outro lado, o primeiro semestre de 2021 registou mesmo o nÃvel mais elevado de investimento empresarial em Portugal desde que há registo. Tal como na fase mais aguda do combate à pandemia e aos seus impactos económicos e sociais foram determinantes as respostas nacionais e supranacionais — incluindo a resposta do Sistema Europeu de Bancos Centrais – também agora importa garantir um policy mix que não ponha em causa a recuperação económica e que, pelo contrário, a reforce e robusteça”, advertiu, antes de reiterar uma das mensagens centrais nesta sua intervenção:
“São as contas certas que garantem a credibilidade internacional de Portugal, permitindo ao paÃs ter poupado três mil milhões de euros juros da dÃvida anualmente face a 2015”, acrescentou.
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