
Bruxelas, 17 mar 2026 (Lusa) — O presidente do Conselho Europeu, António Costa, falou hoje com o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, para apelar que Budapeste respeite o acordo comunitário e possibilite a adoção de um empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros à Ucrânia.
Nas vésperas de uma cimeira europeia, agendada para quinta-feira, na qual os lÃderes da União Europeia (UE) vão tentar desbloquear um crédito de 90 mil milhões de euros (assente em dÃvida comum) para apoiar a economia e a reconstrução da Ucrânia, António Costa e Viktor Orbán “falaram esta manhã por telefone e tiveram uma longa conversa”, indicaram hoje fontes comunitárias.
“Espera-se que [o chefe de governo húngaro] respeite os compromissos assumidos no Conselho Europeu e que esta decisão relativa aos 90 mil milhões seja concretizada”, especificou uma dessas fontes, assinalando que foi essa a “mensagem clara” transmitida por Costa na chamada telefónica.
Hoje mesmo, foi anunciado que a UE mobilizou apoio financeiro e especialistas para reparar o oleoduto Druzhba, danificado pela Rússia, o que foi aceite pela Ucrânia.
De acordo com as fontes europeias, que fizeram uma antevisão da cimeira europeia, Kiev comprometeu-se a “realizar as reparações necessárias no oleoduto para o colocar novamente em funcionamento”, existindo “um prazo definido” para os trabalhos, que não foi especificado.
Este pode ser um debate difÃcil na cimeira europeia de quinta-feira, que se pode alargar até sexta-feira, mas a expectativa de Costa é que Orbán ceda.
As relações entre a Hungria e a Ucrânia estão a ser marcadas por uma forte tensão diplomática devido a questões energéticas e polÃticas com foco no oleoduto Druzhba, que transporta (de forma excecional) petróleo russo através do território ucraniano para a Hungria e a Eslováquia e que foi danificado por um ataque russo no final de janeiro deste ano.
Enquanto Kiev afirma que a infraestrutura precisa de tempo para ser reparada devido à insegurança no terreno, Budapeste acusa a Ucrânia de atrasar deliberadamente a reabertura do oleoduto por motivos polÃticos.
Devido a esta disputa, o Governo húngaro, liderado pelo ultranacionalista Viktor Orbán, tem usado o veto em instâncias de decisão da UE como uma forma de pressão, nomeadamente ao bloquear o empréstimo de 90 mil milhões à Ucrânia como parte do apoio financeiro à resistência ucraniana contra a invasão russa, condicionando a sua adoção à retomada do fluxo de petróleo através do Druzhba.
Numa entrevista à Lusa e a outras agências de notÃcias no âmbito do projeto Redação Europeia (European Newsroom), hoje publicada, António Costa disse “estar otimista” que a Hungria possibilite a adoção deste empréstimo comunitário.
“Como sabem, sou otimista. Acredito que a Hungria se respeitará a si mesma, os colegas [Estados-membros] e os tratados” da UE, afirmou.
“No que diz respeito ao primeiro-ministro [húngaro, Viktor] Orbán, não preciso de o convencer a aceitar o que ele já aceitou no passado dia 18 de dezembro. Uma decisão tomada pelo Conselho Europeu é uma decisão tomada e todos os Estados-membros têm de a respeitar”, lembrou António Costa, numa alusão ao aval polÃtico já dado ao empréstimo de 90 mil milhões de euros para fazer face à s necessidades financeiras da Ucrânia.
De acordo com estimativas recentes, a Ucrânia só tem fundos suficientes para cobrir as suas despesas públicas apenas até ao inÃcio de maio.
A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados europeus desde que a Rússia invadiu o paÃs, em 24 de fevereiro de 2022.
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