Costa Matos avisa que PS é candidato a governar e não a parceiro do Governo

Viseu, 28 mar 2026 (Lusa) – O socialista Miguel Costa Matos pediu hoje que o PS defina em que áreas quer ser oposição e defendeu que é preciso “mais do que cartas”, argumentando que o partido é candidato a governar e não a parceiro do Governo.

Numa intervenção no 25.º Congresso Nacional do PS, em Viseu, o antigo líder da Juventude Socialista e primeiro subscritor de uma moção que defende que o partido tem que deixar o “nim” e não ser apenas parceiro do PSD defendeu que o PS precisa de um “postura forte” e de “escolher quais são as áreas na quais quer fazer entendimentos e quais são as áreas nas quais quer ser oposição em alternativa”.

“Não dá para ser em todos. Não dá também para ser em nenhum. Nós precisamos mais do que cartas. Nós precisamos de falar para o país, porque o PS é candidato a governar o país e não candidato a parceiro parlamentar deste Governo”, acrescentou, numa referência às várias missivas enviadas pelo secretário-geral do partido, José Luís Carneiro, ao primeiro-ministro.

O socialista, para quem o PS teve uma “derrota exigente” nas últimas legislativas, argumentou que se o partido quer ser forte tem de “ter a coragem de refletir”, porque atualmente “não basta esperar pelo desgaste do adversário” ou “oferecer uma versão ligeiramente diferente do que já existe”.

O PS não pode, acrescentou, “viver do passado, porque há uma parte crescente do país que já não quer saber de defender o passado e está à procura do futuro”, sublinhando que há novos desafios como a inteligência artificial, que trarão mudança ao trabalho e à economia.

Costa Matos pediu maior audição da sociedade e dos militantes e fez novas críticas: “Que partido é que consegue ouvir a sociedade se não ouvir os seus militantes, se não valorizar os seus autarcas? Não devia ser preciso a um militante chegar a deputado ou a dirigente nacional para a sua opinião contar para alguma coisa”.

A deputada do PS Edite Estrela também interveio esta tarde para abordar o impasse nos órgãos externos do parlamento, afirmando que a AD “vem adotando sem qualquer reserva a agenda do Chega e com o Chega está a negociar a eleição dos órgãos externos da Assembleia da República, designadamente para o Tribunal Constitucional (TC)”.

A socialista frisou que a questão “não é de somenos importância” e considerou “muito grave” que se queira excluir o PS da eleição dos juízes para o TC “com o argumento da representação parlamentar”, porque esse argumento “não foi usado quando o PS tinha maioria absoluta”.

Edite Estrela afirmou também que nas últimas presidenciais “dois terços dos portugueses rejeitaram a extrema-direita” e manifestou o desejo de que o Presidente da República, António José Seguro, no “exercício da sua magistratura de influência e na tomada de decisão, tenha em conta este histórico resultado”.

Posteriormente, na sua primeira intervenção numa reunião magna socialista enquanto líder da JS, Sofia Pereira defendeu que o partido tem “obrigação histórica e ideológica de continuar a sonhar com um futuro melhor para todos os portugueses”.

“O PS, que já mudou tanto Portugal, tem de responder à sua pergunta fundadora: quer limitar-se a ser respeitável ou quer voltar a ser decisivo na vida dos portugueses?”, questionou.

Sofia Pereira defendeu que um partido com o legado do PS “não pode resignar-se à gestão da estagnação” ou “apenas viver para a memória daquilo que fez”.

A líder da JS alertou, contudo, que toda a história do PS não resolve os problemas de quem “recebe 1.200 euros por mês e não consegue viver”, das mulheres que ganham menos do que os homens nas mesmas funções, ou aos jovens qualificados.

“Os jovens não voltarão a ligar-se ao PS por nostalgia, mas sim se perceberem que este partido continua a ser capaz de mudar as suas vidas. (…) A alternativa a este desgoverno de Luís Montenegro e Hugo Soares somos nós, não é mais ninguém”, defendeu.

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