
Oslo, 19 fev 2026 (Lusa) — O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse hoje acreditar numa adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) “a curto prazo”, mas não se comprometeu com datas, dado que tal processo “faz parte do próprio processo de paz”.
“Ninguém compreenderia que não se chegasse a um acordo de paz por falta de entendimento no processo de adesão. Por isso, precisamos de trabalhar — e trabalhar muito –, mas penso que é realista afirmar que a perspetiva de adesão da Ucrânia à União Europeia é bastante concreta no curto prazo”, disse António Costa.
Em declarações à imprensa em Oslo, no âmbito de uma visita oficial à Noruega, o lÃder da instituição que junta os chefes de Governo e de Estado da UE assinalou que “este processo de adesão faz parte do próprio processo de paz”, pelo que “não é apenas essencial para consolidar a paz após a guerra, mas é também um elemento-chave de um futuro acordo de paz”.
Já questionado sobre os próximos passos em tais processos, António Costa disse esperar que, “o mais rapidamente possÃvel, se possam abrir formalmente as negociações e avançar neste processo de alargamento”.
“Não posso dizer se será em 2027, em 2026 ou mais tarde, mas o que é importante é não perdermos o impulso”, apelou, nestas declarações junto ao primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre.
Já quando confrontado com o bloqueio húngaro, disse estar “muito otimista de que se consiga avançar em breve”.
“Estas negociações, por vezes, são difÃceis e podem demorar bastante tempo. Lembro que o meu paÃs [Portugal] esperou nove anos para aderir à União Europeia, e, no caso da Ucrânia, o processo está a avançar muito mais rapidamente do que com outros paÃses”, adiantou, descrevendo ainda a guerra da Ucrânia como “o desafio mais significativo” da UE.
A Ucrânia obteve o estatuto de paÃs candidato ao bloco comunitário em junho de 2022, após ter sido invadida pela Rússia em fevereiro desse ano.
A Hungria, que justifica a posição com preocupações polÃticas e culturais, tem vindo a opor-se à adesão do paÃs à UE, apesar de ter permitido tal estatuto.
Num relatório divulgado no ano passado sobre o processo de alargamento, a Comissão Europeia descreveu que a Ucrânia “continua fortemente empenhada no seu caminho para a adesão à UE, tendo concluÃdo com sucesso o processo de avaliação e avançado em reformas fundamentais”.
O alargamento ocorre quando novos paÃses aderem à UE.
Atualmente, encontram-se na lista de paÃses candidatos à adesão à UE a Albânia, a Bósnia-Herzegovina, a Geórgia, a Macedónia do Norte, a Moldova, o Montenegro, a Sérvia, a Turquia e a Ucrânia.
A UE e os seus Estados-membros têm reafirmado de forma consistente o seu compromisso com a integração plena destes paÃses, especialmente dos Balcãs Ocidentais, reconhecendo que o alargamento, assente no princÃpio do mérito, representa uma prioridade estratégica com benefÃcios polÃticos, económicos e de segurança para toda a União.
A 01 de dezembro de 2024, António Costa começou o seu mandato de dois anos e meio à frente do Conselho Europeu, sendo o primeiro socialista e o primeiro português neste cargo.
ANE // APN
Lusa/Fim



