Coreia do Sul oferece equipamento de 348,9 mil euros a Moçambique para desastres

Maputo, 9 set 2026 (Lusa) — A Coreia do Sul, através da Agência de Cooperação Internacional da Coreia (KOICA), ofereceu a Moçambique equipamento informático avaliado em mais de 348,9 mil euros para reforçar a capacidade de gestão e resposta a desastres.

O equipamento de 300 mil dólares(348,9 mil euros) foi entregue ao Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e destina-se também a outras instituições governamentais envolvidas na preparação e resposta a situações de emergência.

A iniciativa integra um projeto implementado pela KOICA em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), destinado a reforçar as capacidades das instituições moçambicanas para responder aos riscos de desastres e proteger comunidades vulneráveis e investimentos de desenvolvimento.

“A implementação do projeto visa responder aos riscos interligados que afetam Moçambique através de uma abordagem que assegura que as necessidades das comunidades em situação de risco, bem como os investimentos atuais e futuros para o desenvolvimento, sejam protegidos contra desastres”, disse a presidente do INGD, Luísa Meque.

Meque afirmou que o INGD continuará a trabalhar para reduzir a vulnerabilidade das comunidades aos eventos extremos e garantiu que a instituição fará bom uso do equipamento recebido.

O embaixador da Coreia do Sul em Moçambique, Bok-won Kang, destacou a importância do reforço da capacidade do país para prevenir e responder aos efeitos de eventos extremos, no âmbito da cooperação bilateral.

“Reafirmamos que a nossa instituição continuará a trabalhar no sentido de reduzir ainda mais os níveis de vulnerabilidade aos eventos extremos a que muitas comunidades estão expostas fazendo o bom uso do equipamento que acabamos de receber”, afirmou.

Por sua vez, Cleophas Torori, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), destacou a importância de colocar a tecnologia ao serviço da preparação para desastres, numa altura em que Moçambique enfrenta riscos associados ao fenómeno El Niño.

“Quando a boa tecnologia e equipamento são oferecidos e colocados para uso prático, podemos salvar vidas, proteger a vida e fortalecer a resiliência das comunidades vulneráveis”, afirmou.

A entrega ocorre num contexto de elevada exposição de Moçambique a eventos climáticos extremos. O país está entre os três da África austral de maior preocupação perante o fenómeno El Niño 2026/27, juntamente com Madagáscar e Maláui, com a ONU a prever agravamento da seca, da insegurança alimentar e das deslocações.

O Instituto Nacional de Meteorologia prevê um El Niño forte entre novembro de 2026 e abril de 2027, com precipitação abaixo da média no sul e centro do país.

A necessidade de reforçar a capacidade de preparação e resposta surge também num cenário de vulnerabilidades acumuladas, com cerca de 3,5 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda e cerca de 662 mil deslocados internos, maioritariamente associados ao conflito em Cabo Delgado.

A ONU alerta que a combinação de seca, temperaturas extremas, escassez de água e surtos de doenças poderá agravar os impactos sobre as populações vulneráveis, aumentando a importância de sistemas e equipamentos para antecipar e responder a situações de emergência.

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