
Seul, 10 jun 2026 (Lusa) — Seul alertou hoje que a proposta de Xi Jinping para ampliar os intercâmbios militares com a Coreia do Norte não tem precedentes públicos conhecidos, após o líder chinês defender, em Pyongyang, maior cooperação na área da defesa.
“Foi o primeiro caso conhecido em que o tema é levantado publicamente”, afirmou o Ministério da Unificação sul-coreano, referindo-se às declarações de Xi durante a cimeira com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, divulgadas na segunda-feira pela agência de notícias oficial chinesa Xinhua.
De acordo com a Xinhua, Xi afirmou que Pequim e Pyongyang devem “intensificar os intercâmbios” em “assuntos militares”, além de áreas como a diplomacia e a aplicação da lei.
Embora os órgãos de comunicação estatais norte-coreanos também tenham dado ampla cobertura à visita de Estado de Xi, que terminou na terça-feira, não fizeram qualquer referência à proposta de cooperação militar.
A agência estatal norte-coreana KCNA publicou hoje uma carta de agradecimento de Xi a Kim, na qual o Presidente chinês refere que ambos alcançaram “uma série de importantes consensos”, sem especificar qualquer entendimento na área da defesa.
A presença do ministro da Defesa chinês, Dong Jun, durante a visita poderá constituir outro sinal das intenções de Pequim. Na anterior deslocação de Xi à Coreia do Norte, em 2019, o titular da pasta da Defesa não integrou a delegação, recordou na terça-feira um responsável do ministério da Unificação, citado pela agência sul-coreana Yonhap.
A deslocação foi interpretada como uma tentativa de Pequim reafirmar a influência sobre Pyongyang, num momento em que a Coreia do Norte aprofunda os laços com a Rússia, e decorreu sem qualquer referência ao tema da desnuclearização da península coreana.
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