
Seul, 28 jul 2023 (Lusa) – O lÃder da Coreia do Norte presidiu a uma parada militar, com novos drones e mÃsseis balÃsticos intercontinentais de capacidade nuclear, para assinalar o aniversário do fim dos combates na Guerra da Coreia (1950-53), foi hoje noticiado.
“Os novos aviões estratégicos de reconhecimento não tripulados e os drones de ataque polivalentes, desenvolvidos e produzidos recentemente, voaram para demonstrações enquanto circulavam no céu por cima da praça Kim Il-sung”, em Pyongyang, na quinta-feira, disse a agência de notÃcias estatal norte-coreana KCNA.
O entusiasmo e a alegria do público atingiram o auge quando o mais recente mÃssil balÃstico intercontinental (ICBM) da Coreia do Norte, o Hwasong-18 de combustÃvel sólido, testado em abril e julho deste ano, desfilou pela praça, acrescentou a KCNA.
As cerimónias do 70.º aniversário do armistÃcio da Guerra da Coreia, que pôs fim aos combates e é celebrado na Coreia do Norte como o Dia da Vitória, contaram com a presença de delegações russas e chinesas de alto nÃvel, convidadas por Kim Jong-un.
As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra, uma vez que, depois do cessar-fogo, nunca foi assinado um tratado de paz.
Kim “enviou uma calorosa saudação de combate” durante o desfile, mas não discursou, indicou a KCNA.
Imagens de satélite confirmaram que a Coreia do Norte organizou um desfile militar em grande escala para o aniversário de quinta-feira, no qual, de acordo com a KCNA, foi “demonstrado ao mundo a vontade inabalável de todos os soldados e do povo de criar uma nova lenda de vitória na era Kim Jong-un”.
Para o professor de ciências polÃticas na Universidade de Norwich (EUA) Yangmo Ku, o desfile é um motor importante para “promover a legitimidade do poder de Kim Jong-un e a unidade interna nestes tempos economicamente difÃceis”, disse à agência de notÃcias France-Presse (AFP).
Mas este ano, com a presença de representantes da Rússia e da China, Pyongyang parece estar a tentar “enviar um sinal aos Estados Unidos e aliados de que, graças ao reforço dos laços” com estes dois paÃses, “a Coreia do Norte está militarmente preparada para enfrentar as ameaças estratégicas dos inimigos”.
“Todos estes acontecimentos apontam para a emergência de uma nova guerra fria em torno da penÃnsula coreana”, acrescentou Ku, que apelou a Washington, Seul e Tóquio para que tomem medidas para atenuar as crescentes tensões na penÃnsula.
A China, principal aliado e apoiante económico da Coreia do Norte, e a Rússia, outro aliado histórico, são dos poucos paÃses com os quais Pyongyang mantém relações amigáveis.
A visita do ministro da Defesa russo, Serguei Shoigou, é tanto mais notável dado que responsáveis por esta pasta não visitam Pyongyang com regularidade desde o colapso da antiga União Soviética, disseram especialistas à AFP.
O lÃder norte-coreano apoia a invasão russa da Ucrânia, nomeadamente através do fornecimento de mÃsseis e foguetes, de acordo com Washington, o que Pyongyang tem negado.
Este ano marca o regresso dos convidados estrangeiros às celebrações depois do fim da pandemia da covid-19, anunciando um relaxamento dos controlos fronteiriços.
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