
Belém, Brasil, 10 nov 2025 (Lusa) — A deputada federal do Brasil Ce´lia Xakriaba´ pediu hoje que os financiamentos climáticos não se concentrem apenas na Amazónia, mas também noutros biomas brasileiros.
“Porque a Amazónia é importante, mas a Amazónia por si só não vai salvar a humanidade”, disse Ce´lia Xakriaba´ à Agência Lusa e à France-Press (AFP), durante a 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30), que começou hoje na cidade amazónica de Belém.
“É preciso reconhecer o cerrado brasileiro, o bioma de sacrifÃcio e o segundo maior bioma do Brasil, mas também os biomas da Mata Atlântica e o Pantanal”, frisou a deputada indÃgena de 36 anos, do povo Xakriabá do estado de Minas Gerais, sudeste do paÃs.
De acordo com o relatório anual do Projeto de Monitorização do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), considerado o mais preciso para medir as taxas anuais, 5.796 quilómetros quadrados de floresta foram destruÃdos entre agosto de 2024 e julho de 2025, em comparação com 6.288 quilómetros quadrados no perÃodo homólogo.Â
Em relação ao Cerrado, após cinco anos consecutivos de aumento de desflorestação, entre agosto de 2024 e julho de 2025 foi registada uma queda de 11,49% em relação ao perÃodo homólogo anterior.
Quanto ao Pantanal, a maior planÃcie alagadiça do mundo, localizado nos estados brasileiros de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e também em partes da BolÃvia e Paraguai, foi o mais afetado pelos incêndios, com 62% da sua área queimada nas últimas quatro décadas.
No ano passado, o Pantanal foi o bioma brasileiro que mais perdeu superfÃcie de água em relação à média histórica (61%).
Enquanto falava Ce´lia Xakriaba´, o agora ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, parou por uns segundos e atirou “que saia resultado efetivo desta COP, não ‘blá blá'”
A 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30) começou hoje em Belém, Brasil, com o presidente da reunião anterior a pedir que se tornem efetivas as metas aprovadas no ano passado.
A abertura das duas semanas de negociações foi feita pelo presidente da COP29, realizada em Baku, no Azerbaijão, Mukhtar Babayev, que apelou para que se “tornem efetivas” as metas da cimeira climática do ano passado.
Também na sessão de abertura, Simon Stiell, secretário executivo da ONU para as alterações climáticas, citou a ciência para dizer que ainda é possÃvel impedir um aumento da temperatura acima dos 1,5ºC, após um desvio acima desse valor.
Simon Stiell salientou que ainda há muito trabalho para fazer na luta climática e que é preciso agir “muito mais rápido” porque os desastres climáticos “consomem duas casas decimais” do PIB global, além de provocarem milhares de mortes.
Os paÃses em desenvolvimento insistem em negociar em Belém como alcançar esses 1,3 biliões de dólares para atingir as suas metas climáticas.
Outro objetivo dos negociadores será o de estabelecer, por consenso, uma série de indicadores de adaptação. Até à data, está a ser considerada uma lista de cem elementos. Isto permitirá medir quais os paÃses mais vulneráveis à emergência climática e agir em conformidade.
Novas metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa estão também na agenda da conferência que hoje começou.
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MIM (FP) // JMR
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