
Dubai, 01 dez 2023 (Lusa) — O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, afirmou hoje no Dubai que a transição ecológica não deve comprometer a segurança energética nem criar novas dependências em relação a fornecedores “pouco fiáveis”.
“Temos de garantir que, ao fazermos a transição energética dos combustÃveis fósseis para fontes de energia mais fiáveis e limpas, não o façamos de uma forma que comprometa a segurança energética”, afirmou Stoltenberg na 28.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP28), que reúne lÃderes de todo o mundo.
O polÃtico norueguês deu como exemplo a “decisão polÃtica” da Europa de acabar com a sua dependência do gás russo, que Moscovo “utilizou como instrumento para tentar coagir após a invasão em grande escala da Ucrânia”.
“Não devemos cometer os mesmos erros no desenvolvimento de novas fontes de energia renováveis”, afirmou, ao mesmo tempo que apelou contra a “dependência excessiva de um ou dois fornecedores não fiáveis de matérias-primas”.
“Alguns paÃses controlam a maior parte da tecnologia, a maior parte das matérias-primas, os minerais de terras raras, que são tão importantes, por exemplo, para os painéis solares ou para as baterias”, disse, sem mencionar a China, um dos paÃses com mais reservas do mundo.
Stoltenberg salientou também que há uma ligação entre a crise climática e de segurança: “Obriga as pessoas a deslocarem-se, os fluxos migratórios já estão a aumentar devido à s alterações climáticas, mas também aumenta a competição por recursos escassos”.
Por outro lado, acrescentou, os conflitos também impedem uma luta eficaz contra as alterações climáticas, um fenómeno que é “multiplicador de crises”.
O dirigente também referiu que um clima mais extremo irá afetar a forma como a NATO conduz as suas operações militares e irá influenciar “tudo, desde o treino aos uniformes, até ao facto de as bases navais serem afetadas pela subida do nÃvel do mar”.
Para este esforço conjunto, a NATO também tem de “cumprir a sua parte no que respeita à redução das emissões”.
“Não há forma de chegar ao balanço lÃquido zero sem reduzir também as emissões do setor militar”, afirmou.
Os aliados estão a investir em programas de desenvolvimento de novas tecnologias mais ecológicas para os veÃculos militares, como os biocombustÃveis para alguns aviões ou os painéis solares para as bases militares.
No entanto, “se tivéssemos de escolher entre uma solução ecológica e uma solução eficaz em termos de combate, terÃamos de escolher a solução eficaz em termos de combate”, mas “o desafio consiste em garantir que, no futuro, as soluções eficazes em termos de combate sejam também soluções ecológicas”, acrescentou.
A NATO já estabeleceu objetivos concretos para que as forças armadas aliadas reduzam as suas emissões até 2030 e atinjam a neutralidade carbónica até 2050.
PJA // SB
Lusa/Fim



