
Lisboa, 25 jun 2022 (Lusa) — O movimento cÃvico que contesta o projeto em construção, no claustro da Sé de Lisboa, convocou para hoje, em frente à catedral, um “cordão humano” de alerta para as obras em curso e pela “recuperação e valorização” do monumento.
Os organizadores, do movimento cÃvico “Apoiar a Sé de Lisboa 2022”, entre os quais se contam a arqueóloga Jacinta Bugalhão e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia, Regis Barbosa, afirmam que “este projeto (arquitetura e estruturas) [se] revela incompatÃvel com a preservação e valorização de algumas das mais importantes estruturas arqueológicas aà conservadas (de perÃodo Romano, Islâmico e Medieval Cristão), ameaçadas pela construção de escadas e rampa de acesso entre a cripta arqueológica e o Claustro, e de um piso subterrâneo e respetivos acessos”.
Apresentado em conferência de imprensa em novembro do ano passado, o projeto em curso, como então afirmou o diretor-geral do Património Cultural, João Carlos Santos, concilia “o melhor de dois mundos”, nesta nova versão, permitindo “mostrar mais um terço do que estava previsto dos vestÃgios arqueológicos”, em relação ao projeto anterior.
Para os arqueólogos que subscrevem a convocatória, porém, o alerta mantém-se, uma vez que o projeto, no seu entender, prevê “a afetação das estruturas arqueológicas”, levando a que o património aà conservado se encontre “em perigo iminente de destruição”.
Em novembro, quando da apresentação da nova versão, o responsável da Direção-Geral do Património Cultural garantiu que as alterações tinham em conta as recomendações da Secção do Património Arquitetónico e Arqueológico, do Conselho Nacional de Cultura, nomeadamente “a integração dos vestÃgios arqueológicos” identificados e a “musealização das ruÃnas arqueológicas”.
O novo projeto, segundo o responsável da DGPC, concretiza o compromisso entre a necessidade de reforço estrutural da ala sul do claustro, e a preservação do maior número possÃvel de estruturas dos edifÃcios islâmicos identificados.
A colocação de um elevador, a construção de escadas e saÃdas de emergência, assim como a instalação de uma área técnica vieram impor a desmontagem de algumas estruturas que, segundo João Carlos Santos, serão salvaguardadas por registos de imagem, textos e outros documentos.
As escavações efetuadas revelaram estruturas romanas, islâmicas e cristãs medievais, posteriores à conquista da cidade, em 1147, nomeadamente vestÃgios de arruamentos, tanques, assim como uma mesquita aljama e um muro com ‘graffitis’ islâmicos medievais.
Em março do ano passado, o parlamento aprovou sete projetos de resolução, apresentados por diferentes bancadas e deputados que, em geral, recomendam ao Governo a salvaguarda dos vestÃgios islâmicos.
Em outubro de 2020, o Governo já decidira que os vestÃgios descobertos nas obras de requalificação e restauro do claustro, deviam ser mantidos no local.
As obras no claustro da Sé de Lisboa iniciaram-se na década de 1980, com as primeiras escavações, e uma das dificuldades foi a descoberta de sucessivas camadas arqueológicas que a análise estratigráfica não previra, o que levou a interrupções, ao longo dos anos, e à elaboração de diferentes projetos de requalificação do local.
O recomeço das obras, tendo por referência o projeto apresentado em novembro, aconteceu no passdo dia 28 de março, cerca de um ano após a última suspensão. A sua conclusão foi anunciada para o terceiro trimestre deste ano.
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