
Lisboa, 09 set 2023 (Lusa) — O vice-governador do Banco Central Europeu (BCE) VÃtor Constâncio defendeu hoje ser do interesse dos bancos oferecer soluções para famÃlias em dificuldades, como o aumento da maturidade dos créditos, ou a alteração do perfil temporal do pagamento de juro.
Em entrevista escrita à agência Lusa, o ex-governador do Banco de Portugal (BdP) e ex-vice do BCE considerou que a banca deve evitar uma subida do malparado, daà o interesse em oferecer hipóteses de resolução dos problemas a famÃlias em dificuldades económicas neste perÃodo.
“É do interesse dos bancos oferecerem soluções de reajustamento daquelas prestações, sem redução do crédito devido, seja aumentando a maturidade dos créditos e/ou alterando o perfil temporal do pagamento de juros, para os clientes em maiores dificuldades e para manter os seus compromissos nesta fase”, afirmou.
VÃtor Constâncio recordou que estas soluções têm “acontecido em maior grau em vários paÃses europeus”.
O antigo responsável do BCE e do BdP salientou que “os nÃveis de capitalização dos bancos são muito mais elevados do que antigamente em todos paÃses Europeus e também em Portugal”, mas alertou que “é necessário que os bancos não deixem subir muito o crédito malparado que pode resultar dos enormes aumentos dos pagamentos das prestações do crédito à habitação, dada a subida das taxas de juro pela polÃtica monetária”.
“Apesar da robustez da posição de capital, uma subida do crédito malparado poderia afetar os ratings dos bancos”, adverte.
Questionado sobre qual deverá ser a melhor estratégia para a gestão da dÃvida pública perante a atual conjuntura, defendeu que “o essencial é que a dÃvida pública continue a diminuir significativamente e possa brevemente situar-se abaixo dos 100% do PIB”, uma vez que “Portugal continua a ser o terceiro paÃs mais endividado da área do euro e o elevado endividamento tem um efeito negativo no crescimento a médio e longo prazos”.
VÃtor Constâncio prevê ainda que “depois de um crescimento superior a 2% este ano”, o Produto Interno Bruto (PIB) português irá crescer cerca de 1,5% em 2024.
O ex-vice do BCE revela ainda confiança de que há sinais de a inflação começar a estar controlada, argumentando que os dados do Instituto Nacional de EstatÃstica (INE) apontam para que a inflação nacional se aproxime mais rapidamente do objetivo de 2% de inflação, o que é encorajador”.
“Por outro lado, os números do INE indicam que as remunerações médias por trabalhador subiram de janeiro a junho 7,2%. Após a perda de salários ajustados à inflação no ano passado, este ano as remunerações reais estão a aumentar, o que é também muito positivo”, acrescentou.
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