
Redação, 29 fev 2024 (Lusa) — O Conselho de Segurança da ONU reúne-se hoje de emergência para discutir o incidente durante uma distribuição de alimentos na Faixa de Gaza, em que morreram mais de 100 civis, lamentado por Estados Unidos, paÃses europeus, árabes e pela própria ONU.
O Conselho de Segurança Nacional dos EUA qualificou o ocorrido como um “grave incidente”, quando “palestinianos inocentes apenas tentavam alimentar as suas famÃlias”, e o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou não ter detalhes.
Em declarações divulgadas pela cadeia televisiva CNN, um porta-voz do Conselho de Segurança dos EUA afirmou que a matança em Gaza “sublinha a importância de aumentar e manter o fluxo de ajuda humanitária, inclusive através de um possÃvel cessar-fogo temporário”.
“Continuamos a trabalhar dia e noite para alcançar esse fim”, acrescentou.
O subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários alertou hoje de que “a vida está a deixar Gaza a um ritmo aterrador”, reagindo à s muitas mortes registadas durante uma operação de distribuição de ajuda humanitária naquele território palestiniano.
“Estou indignado com as informações segundo as quais centenas de pessoas foram mortas e feridas durante uma operação de transporte de ajuda humanitária para o oeste da Faixa de Gaza hoje”, escreveu Martin Griffiths na rede social X (antigo Twitter).
“Mesmo após quase cinco meses de hostilidades brutais, Gaza ainda tem a capacidade de nos chocar”, adiantou.
O Governo palestiniano tinha já acusado Israel pelo “massacre atroz” de civis.
Horas antes, as autoridades de Gaza indicaram que o “horrÃvel massacre” na Cidade de Gaza, que causou mais de 100 mortos e 750 feridos, ocorreu “no contexto do genocÃdio e da limpeza étnica contra a população da Faixa de Gaza”. “A ocupação teve a intenção premeditada de cometer este horrÃvel massacre”, acrescentaram.
Após o ocorrido, o Exército israelita indicou que “durante uma entrega de ajuda humanitária com camiões no norte da Faixa de Gaza, ocorreu um incidente violento por residentes de Gaza que saquearam o equipamento à chegada”. “Durante o incidente, dezenas de moradores de Gaza ficaram feridos após serem espezinhados”, acrescentou a mesma fonte, que garantiu que “os detalhes do evento estão a ser revistos”.
Egito e Jordânia condenaram, por seu lado, o ataque de Israel no sudeste da cidade de Gaza que também provocou pelo menos 760 feridos.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Egito afirmou, em comunicado, que o “ataque contra cidadãos pacÃficos que corriam para conseguir a sua parte de ajuda humanitária é um crime vergonhoso, uma violação flagrante das disposições do direito internacional e um desrespeito pelo valor do ser humano”.
O organismo instou a comunidade internacional e o Conselho de Segurança das Nações Unidas, especialmente os Estados Unidos que têm vetado resoluções para um cessar-fogo, que “assumam a responsabilidade moral, humanitária e jurÃdica para deter a guerra israelita contra a Faixa de Gaza”.
Já a diplomacia jordana qualificou o ataque de “brutal” e lamentou a “ausência de uma posição internacional para deter a guerra e o massacre humanitário que Israel está a cometer”.
A Jordânia renovou o apelo à comunidade internacional para que garanta proteção aos habitantes de Gaza e intensifique “os esforços para alcançar um cessar-fogo imediato e permanente em Gaza”.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, expressou “profunda consternação e preocupação” com as “notÃcias dramáticas”, sendo “urgente que Israel verifique a dinâmica dos factos e as responsabilidades”.
O Conselho de Segurança reúne-se hoje de emergência para debater a situação, a pedido da Argélia, segundo uma fonte diplomática.
A guerra em curso entre Israel e o Hamas foi desencadeada por um ataque sem precedentes do grupo islamita palestiniano em solo israelita, em 07 de outubro, que causou cerca de 1.200 mortos e mais de duas centenas de reféns, segundo as autoridades israelitas.
Em represália, Israel lançou uma ofensiva no território palestiniano que já causou mais de 30 mil mortos, de acordo com o Hamas.
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