
Nações Unidas, 02 jun 2023 (Lusa) – O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) renovou hoje por um ano a autorização para inspeções a embarcações em alto mar ao largo da costa da LÃbia que possam estar a violar o embargo de armas no paÃs.Â
A resolução, redigida pela França e Malta, recebeu votos favoráveis de 14 dos 15 Estados-membros do Conselho de Segurança da ONU, com a abstenção da Rússia.
Ao justificar o seu voto, Moscovo criticou a União Europeia por ter em seu poder esse regime de inspeções e alegou falta de resultados.
“Infelizmente, esse regime de inspeções ficou concentrado nas mãos de apenas uma organização regional: a União Europeia. E devemos notar que as atividades da sua operação marÃtima realmente não trouxeram resultados práticos em termos de estabilização no terreno durante todo o perÃodo em que funcionou”, avaliou Anna Evstigneeva, representante permanente adjunta da Rússia junto à ONU.
“Os potenciais violadores do embargo de armas não temem seriamente esta presença militar marÃtima” e as “ações desses atores europeus muitas vezes se tornaram pouco transparentes”, acrescentou.
A resolução hoje aprovada renova a autorização para os Estados-membros, na sua capacidade nacional ou através de organizações regionais, inspecionarem embarcações em alto mar ao largo da costa da LÃbia – com destino a ou a partir da LÃbia – que levantem motivos sobre uma eventual violação do embargo de armas.Â
A autorização também permite que os Estados-membros apreendam e descartem qualquer carga detetada que esteja sujeita ao embargo de armas.
O Conselho de Segurança adotou pela primeira vez as medidas de apoio à plena implementação do embargo de armas à LÃbia em junho de 2016.
A intercetação de embarcações com destino ou origem na LÃbia destinava-se a conter o fluxo de armas para o paÃs e apoiar o embargo imposto ao paÃs em fevereiro de 2011.Â
Até 2022, o Conselho de Segurança renovou todos os anos – por unanimidade – a autorização das inspeções marÃtimas.Â
Contudo, durante as negociações do ano passado, a Rússia expressou reservas quanto à viabilidade da autorização, observando que a operação não conseguiu descobrir canais significativos de fornecimento de armas e que várias embarcações recusaram os seus pedidos de inspeção.Â
“A experiência não muito bem-sucedida desta operação apenas reafirma a importância crucial de criar formatos eficazes e verdadeiramente multilaterais no interesse de desenvolver soluções sustentáveis para situações agudas na LÃbia e em toda a região do Mediterrâneo”, disse hoje Evstigneeva.
Â
MYMM // APN
Lusa/Fim



