
Bruxelas, 28 dez 2021 (Lusa) — O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, confirmou hoje que convocou o Conselho NATO/Rússia para janeiro, em momento de disputa sobre a concentração de dezenas de milhares de militares russos na fronteira ucraniana.
Um funcionário da Aliança Atlântica em Bruxelas tinha revelado, no domingo, que o principal fórum de diálogo entre a NATO e Moscovo estava convocado para 12 de janeiro.
Numa mensagem divulgada hoje na rede social Twitter, Stoltenberg confirmou que solicitou uma “reunião do Conselho da NATO/Rússia para janeiro”.
O dirigente acrescentou, na mesma mensagem, que manteve um diálogo com a ministra dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Liz Truss, sobre o “reforço militar contÃnuo, não provocado e inexplicado da Rússia na Ucrânia e em redor” daquele paÃs.
“As ações da NATO são defensivas e proporcionais e permanecemos abertos ao diálogo”, sustentou Jens Stoltenberg, citado pela agência EFE.
O responsável da Aliança Atlântica tem lamentado repetidamente a decisão de Moscovo de suspender a sua missão junto da NATO, bem como o encerramento da representação da Aliança Atlântica em Moscovo, após a retirada de credenciais a oito diplomatas russos por alegada espionagem.
Nos últimos meses, Stoltenberg ofereceu-se várias vezes a Moscovo para retomar o diálogo neste órgão de cooperação criado em 2002, atualmente suspenso devido ao conflito na Ucrânia.
Washington e Moscovo vão reunir-se em 10 de janeiro para debater as questões da Ucrânia e de controlo do armamento nuclear, disse hoje um porta-voz da Casa Branca para os assuntos de segurança.
“Os Estados Unidos têm pressa em iniciar um diálogo com a Rússia”, afirmou um porta-voz do Conselho de Segurança norte-americano, citado pela agência de notÃcias France-Presse.
Além do Conselho da NATO/Rússia, apontado para 12 de janeiro, no dia 13 decorrerá um encontro entre Moscovo e a Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE), da qual fazem parte os Estados Unidos, acrescentou a mesma fonte.
Há mais de um mês que os paÃses ocidentais acusam Moscovo de ter concentrado importantes forças na fronteira ucraniana, e alegam que têm em vista uma possÃvel intervenção contra Kiev.
Moscovo negou qualquer intenção bélica e afirmou sentir-se ameaçado “pelas provocações” de Kiev e da NATO, e exigiu que a Aliança Atlântica se comprometa a não estender a presença no espaço da antiga União Soviética.
No sábado, Moscovo indicou que mais de dez mil militares russos tinham regressado à s bases, depois de um mês de exercÃcios no sul da Rússia, nomeadamente perto da fronteira ucraniana.
 A Rússia advertiu na segunda-feira que as “provocações” da NATO, que acusou de aumentar consideravelmente a sua presença junto à s fronteiras russas em 2021, podem levar num conflito militar.
“Recentemente, a Aliança Atlântica passou à prática das provocações diretas, o que envolve um elevado risco de escalada num conflito militar”, declarou Alexandr Fomin, vice-ministro da Defesa russo, durante uma reunião com adidos militares e representantes de embaixadas estrangeiras.
O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou no domingo que irá ponderar várias opções se o Ocidente não corresponder à sua proposta de garantias de segurança que impede a expansão da NATO para a Ucrânia.
No inÃcio deste mês, a Rússia propôs à NATO a assinatura de um acordo de garantias de segurança que previna a adesão à organização de paÃses provenientes da ex-União Soviética.
DMC (EJ/JSD/ALU/ANC) // PDF
Lusa/Fim



