
Washington, 02 mai 2024 (Lusa) — Os conselheiros do Presidente dos EUA, Joe Biden, estão preocupados com a repercussão para a Casa Branca das manifestações pró-palestinianas nas universidades, que recordam protestos estudantis dos anos 60 do século passado.
Em recentes declarações ao jornal Washington Post, um assessor da recandidatura presidencial de Biden confessava que o debate sobre a posição da Casa Branca relativamente ao conflito no Médio Oriente pode tornar-se um tema de campanha que acabará por beneficiar o adversário republicano, o ex-presidente Donald Trump, sobretudo depois da escalada de conflito nos protestos estudantis nas universidades.
O argumento que sustenta as preocupações nas fileiras democratas prende-se com o radicalismo das posições assumidas pelo Governo do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que pode desmobilizar o eleitorado mais à esquerda do Partido Democrata, se Biden não se demarcar de algumas das suas decisões no conflito na Faixa de Gaza.
Por outro lado, os conselheiros do Presidente norte-americano estão preocupados com o facto de as manifestações pró-palestinianas em diversas universidades estarem igualmente a suscitar um debate sobre os limites da liberdade de expressão, o que poderá dar relevantes armas polÃticas a Trump, que tem acusado Biden de usar instrumentos da máquina judicial e polÃtica para procurar conter as posições conservadoras dos republicanos.
Os conselheiros de Biden lembram ainda que a Casa Branca pode ser afetada por qualquer escalada no conflito social provocado pelas manifestações nas universidades, tal como aconteceu em 1968, quando, a propósito da luta pelos direitos civis e contra a guerra no Vietname, num cenário de manifestações estudantis, o Partido Democrata acabou por ser derrotado por Richard Nixon.
O paralelismo entre o que aconteceu na Universidade de Columbia em 1968 e agora, em 2024, é inevitável, sobretudo depois de a presidente da instituição, Minouche Shafik, ter apelado à intervenção policial para desmobilizar os estudantes ativistas pró-palestinianos, repetindo ações de detenção de alunos que se verificaram há mais de 50 anos.
Em 1968, os alunos protestavam contra a ligação da Universidade de Columbia a uma organização que fazia investigação de armas para a guerra do Vietname, bem como contra a forma como a administração tratava os alunos de minorias étnicas.
Tal como sucedeu nos últimos dias, a administração da universidade permitiu que agentes da PolÃcia de Nova Iorque entrasse nas instalações para expulsar os manifestantes, provocando duros confrontos fÃsicos, que levaram a dezenas de detenções e feridos.
Os confrontos estudantis prejudicaram fortemente a imagem do então presidente democrata Lyndon Johnson, bem como as aspirações polÃticas do candidato do partido à s eleições presidenciais de novembro de 1968, Hubert Humphrey, que acabou derrotado pelo republicano Richard Nixon (que em 1960 tinha sido vencido pelo democrata John F. Kennedy).
Charles Blow, analista polÃtico e colunista do jornal The New York Times, estabelece o paralelo entre o momento vivido em 1968 e aquele que agora se repete em várias universidades e lembra que há 50 anos os democratas sentiram na pele os efeitos dos protestos estudantis na convenção do partido que se realizou em Chicago (exatamente o local onde Biden terá este ano a convenção que o deverá consagrar como recandidato à Casa Branca).
Também em 1968 se debateu a questão do direito à liberdade de expressão dos estudantes e também a decisão de usar os agentes policiais para desmobilizar as manifestações acabou por afetar a imagem da Casa Branca, o que pode ser um aviso para a postura de Biden sobre esta matéria, como defende Blow.
Esta semana, Donald Trump preferiu comparar os protestos estudantis na Universidade de Columbia com a invasão do Capitólio, em 06 de janeiro de 2021, pelos seus apoiantes, com o objetivo de tentar reverter a vitória de Biden nas eleições presidenciais de 2020.
“Os alunos ocuparam um edifÃcio. Isso é um grande problema. Eu interrogo-me se o que acontecerá será comparável ao que aconteceu em 06 de janeiro”, ironizou Trump, referindo-se ao facto de muitos dos seus apoiantes terem sido investigados e punidos judicialmente pela invasão do Capitólio.
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