
São Paulo, 10 jan 2023 (Lusa) – O Congresso brasileiro aprovou hoje, com oito votos contra de senadores ‘bolsonaristas,’ a intervenção federal na segurança do Distrito Federal, onde está localizada a capital, BrasÃlia, decretada no domingo pelo Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.
Numa votação simbólica, o Senado (câmara alta) aprovou a medida com o voto contra de parlamentares que apoiam o ex-presidente Jair Bolsonaro, um dia depois de o aval ter sido dado pela Câmara dos Deputados (câmara baixa), numa votação em que os apoiantes do ex-PR optaram por sair antes.
“Essa minoria antidemocrática não representa o povo brasileiro. Essa minoria golpista não vai impor sua vontade por meio da barbárie, da força e de atos criminosos”, salientou hoje o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.
“Essa minoria extremista será identificada, investigada e responsabilizada, assim como seus financiadores, organizadores e agentes públicos que deliberadamente ignoraram”, acrescentou o parlamentar relembrando os ataques ocorridos no domingo, quando centenas de ‘bolsonaristas’ invadiram e depredaram os principais prédios públicos da capital brasileira.
A medida segue para a promulgação e vigorará até o final de janeiro.
“O povo quer respeito à lei, à s instituições e ao património público. A melhor resposta que podemos dar agora é mais democracia”, disse o presidente da Câmara, Arthur Lira, na segunda-feira.
Então, apesar de a medida ter tido o aval unânime da Câmara dos Deputados, alguns bolsonaristas, como as deputadas do Partido Liberal (PL) Carla Zambelli e Bia Kicis, tentaram adiar a votação alegando que precisavam de mais tempo para analisar a decreto presidencial.
Para Kicis, a medida não se justificava porque a situação em BrasÃlia já estava sob controlo.
“A PolÃcia tentou conter, houve falhas, mas é preciso dizer que já foi controlado”, argumentou.
O PL e o Partido Novo foram as duas únicas bancadas da Câmara dos Deputados que se abstiveram.
Embora o decreto de intervenção federal tenha força de lei por ter a assinatura do Presidente ele precisa de aprovação das duas casas do Congresso, que podem autorizar ou rejeitar o texto sem modificá-lo.
As autoridades de BrasÃlia têm sido amplamente questionadas pela gestão da crise polÃtica, criticando a passividade com que agiram durante as invasões e atos de vandalismo ocorridos no domingo.
Os ‘media’ deram eco a vÃdeos divulgados nas redes sociais nos quais vários polÃcias observam impassÃveis os seguidores de Bolsonaro, que entraram nos espaços federais.
Apoiantes do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro invadiram e vandalizaram no domingo as sedes do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e do Palácio do Planalto, em BrasÃlia, obrigando à intervenção policial para repor a ordem e suscitando a condenação da comunidade internacional.
A PolÃcia Militar conseguiu recuperar o controlo das sedes dos três poderes, numa operação de que resultaram cerca de 1.500 detidos.
A invasão começou depois de militantes da extrema-direita brasileira apoiantes do anterior presidente, derrotado por Lula da Silva nas eleições de outubro passado, terem convocado um protesto para a Esplanada dos Ministérios.
Entretanto, o juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes afastou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, por 90 dias, considerando que tanto o governador como o ex-secretário de Segurança e antigo ministro da Justiça de Bolsonaro Anderson Torres terão atuado com negligência e omissão.
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