Congressistas dos EUA aprovam lei de reforço de sanções à Rússia 

Washington, 17 set 2026 (Lusa) – A Câmara dos Representantes norte-americana aprovou hoje um amplo pacote de sanções contra as autoridades e a economia russas, visando privar o Presidente Vladimir Putin dos recursos financeiros necessários para travar a guerra contra a Ucrânia. 

O projeto de lei tem o nome do falecido senador Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul, que passou mais de um ano a negociar a medida, e foi aprovado por 262 votos (159 contra), seguindo agora para o Presidente Donald Trump, que terá ainda de promulgá-la. 

A legislação representa o esforço mais ambicioso de apoio à Ucrânia desde o regresso de Trump à Casa Branca em 2025 e quebraria um impasse relativo de quase dois anos sobre a questão, após um pacote de ajuda de emergência em 2024.  

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tem pressionado pela aprovação do projeto e fez um apelo direto aos senadores pouco antes de o aprovarem no mês passado. 

A medida impõe sanções às autoridades russas, aos bancos e a uma frota clandestina de navios-tanque que mantém as exportações de petróleo russo. Autoriza ainda que Trump imponha tarifas até 100% aos cinco maiores importadores de petróleo ou gás natural russo, com exceção dos países que importam menos de 15% das exportações de gás natural da Rússia e que tomaram medidas significativas para reduzir esse fluxo. 

“Estes países têm uma escolha a fazer sobre se vão continuar a sustentar a agressão de Putin”, disse o congressista Michael McCaul (republicano pelo Texas). 

Os defensores afirmaram que a medida visa dissuadir a China e a Índia de comprar energia russa, mas os críticos do projeto disseram temer que Trump o utilize para atingir aliados na União Europeia e noutras regiões.  

“Este Presidente sempre disse que adora tarifas”, disse o congressista Gregory Meeks (democrata por Nova Iorque). “E conhecemos o historial do que ele fez relativamente às tarifas aos nossos aliados europeus e nossos aliados em todo o lado”. 

Os democratas estavam divididos quanto ao projeto, apesar do apoio esmagador da bancada à ajuda à Ucrânia. O congressista Steny Hoyer (democrata por Maryland) defendeu a aprovação como uma posição em relação à guerra. “Se não aprovarmos este projeto de lei, haverá celebração no Kremlin e lágrimas em Kiev”, disse Hoyer. 

Já o congressista Don Beyer (democrata da Virgínia) previu que os apoiantes da Ucrânia acabariam por se arrepender de votar a favor do projeto de lei. 

“Sim, poderão dizer ‘estivemos ao lado da Ucrânia’ logo após a aprovação”, disse Beyer. “Mas quando Donald Trump impuser novas tarifas aos nossos aliados e levantar sanções contra a Rússia, a vitória de propaganda para Putin será duradoura, e os danos ficarão consolidados na legislação norte-americana”. 

O líder democrata Hakeem Jeffries, ao manifestar-se contra o projeto, afirmou que os democratas continuariam a apoiar o povo ucraniano até à vitória, mas que a nova lei “não oferece um caminho para garantir isso”. 

O Congresso tem enfrentado dificuldades para garantir o fluxo de apoio militar à Ucrânia, à medida que aumentam resistências republicanas a gastar mais. Trump criticou frequentemente a ajuda à Ucrânia durante a sua campanha presidencial e insistiu que, se fosse eleito, terminaria rapidamente a guerra iniciada pela invasão de Moscovo em fevereiro de 2022. 

Graham demorou praticamente um ano inteiro a convencer Trump a apoiar o pacote de sanções contra a Rússia. Por fim, Trump sinalizou apoio ao projeto após este ter incluído a sua proposta de prorrogação por cinco anos das sanções existentes contra o Irão.  

Os republicanos que discursaram no plenário da Câmara antes da votação manifestaram amplo apoio ao pacote, caso de French Hill (Arkansas), que afirmou que estava na altura de enviar uma mensagem mordaz ao Kremlin: “Ponham fim a esta guerra, saiam da Ucrânia e concentrem-se em reconstruir a vossa reputação internacional esfarrapada e a vossa economia destruída”. 

O Senado aprovou o projeto com uma larga maioria (86 votos contra 11) no mês passado, mas o ritmo abrandou na câmara baixa. A liderança republicana concentrou-se noutras prioridades, especificamente em projetos destinados a colocar os democratas na defensiva antes das eleições intercalares.  

A aprovação do projeto na Câmara ocorreu no último dia previsto para as sessões de votação antes das eleições de 03 de novembro.  

 

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