
MogadÃscio, 28 abr 2021 (Lusa) – Entre 60.000 a 100.000 pessoas que viviam na capital da Somália, MogadÃscio, estão deslocadas à força, após os confrontos de domingo entre duas fações do exército sobre a crise no governo do paÃs, disse hoje a ONU.
“Estou extremamente preocupado com a deterioração da situação de segurança em MogadÃscio”, afirmou o coordenador humanitário da Missão de Assistência das Nações Unidas na Somália (Unsom), Cesar Arroyo, num comunicado.
“Para além de deslocar civis inocentes, a violência inicial criou incerteza e medo de haver perturbações na ajuda humanitária a centenas de milhares de pessoas vulneráveis”, disse Arroyo.
Entre os afetados estão não só os residentes da capital, mas também deslocados internos somalis que tinham ido para MogadÃscio, de outras partes do paÃs, em busca de refúgio e que, agora, foram novamente deslocados para a periferia da cidade.
O deslocamento causado pelo conflito na Somália aumentou este ano: desde janeiro, cerca de 173.000 pessoas tiveram de fugir das suas casas, incluindo cerca de 50.000 deslocados pela violência em vários locais, nas regiões de Galgaduud (centro) e Mudug (centro-norte) e no estado do Sudoeste.
Entretanto, conflitos violentos entre fações opostas do exército – a favor e contra a prorrogação por dois anos do mandato presidencial de Mohamed Abdullahi Mohamed Farmaajo — ocorreram no domingo passado em MogadÃscio.
A resolução, votada pela Câmara do Povo (câmara baixa do parlamento) a 12 de abril e assinada pelo Presidente no dia seguinte, violou o acordo de 17 de setembro, o que enfureceu a oposição e as potências e instituições estrangeiras, que finalmente fizeram Farmaajo ceder, renunciando à prorrogação no inÃcio da manhã de hoje.
O chefe de Estado somali apelou ainda ao reatamento das negociações para a implementação do acordo, assinado pelo Presidente e pelos lÃderes regionais, que estabelece um roteiro para a realização de eleições.
De acordo com o pacto, as eleições deveriam ter sido realizadas em fevereiro, mas foram adiadas por desacordos polÃticos.
O problema causado pela crise polÃtica e pelo conflito foi agravado pela seca no paÃs, responsável pela deslocação de mais de 83.300 pessoas nos últimos quatro meses, afirmou também na semana passada o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA).
O coordenador humanitário em exercÃcio da ONU no paÃs salientou, contudo, que “ao contrário dos últimos dois anos, a maior parte da deslocação na Somália este ano está relacionada com conflitos”.
A Somália encontra-se em estado de guerra e caos desde 1991, quando o ditador Mohamed Siad Barre foi derrubado, deixando o paÃs sem um governo eficaz e nas mãos de milÃcias e senhores da guerra islâmicos.
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