
Kinshasa, 17 mai 2026 (Lusa) — O Instituto Nacional de Investigação Biomédica (INRB) da República Democrática do Congo confirmou hoje um primeiro caso de infeção pelo vÃrus Ébola em Goma, cidade controlada pelo M23.
“Confirma-se um caso positivo em Goma. Foi confirmado por testes realizados pelo laboratório. Trata-se da mulher de um homem que morreu de ébola em Bunia, que viajou para Goma após a morte do marido”, disse à agência AFP o professor Jean-Jacques Muyembe, diretor do INRB em Kinshasa.
Goma é uma importante cidade no leste da República Democrática do Congo, controlada pelo grupo armado antigovernamental M23.
No sábado, o ministro da Saúde da República Democrática do Congo alertou que a estirpe do vÃrus Ébola “tem uma taxa de mortalidade muito elevada” e acrescentou não existir ainda vacina nem tratamento especÃfico.
O surto de ébola na provÃncia de Ituri, no leste da República Democrática do Congo, já causou 80 mortos, de acordo com um comunicado do Ministério da Saúde congolês, citado pela agência de notÃcias espanhola EFE.
“Foram reportados 246 casos suspeitos e 80 mortes, das quais quatro testaram positivo”, afirmou o ministro Samuel Roger Kamba Mulamba, num comunicado divulgado na sexta-feira, citado pela EFE.
A doença foi localizada nas cidades de Rwampara, Mongwalu e Bunia.
O Governo da República Democrática do Congo já ativou o Centro de Operações de Emergência, reforçou a vigilância epidemiológica em Ituri e adotou medidas urgentes, incluindo assistência médica gratuita, envio de equipas de intervenção rápida e controlo de fronteiras.
As autoridades pediram à população para praticar uma higiene rigorosa e comunicar os sintomas sem entrar em pânico.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou especialistas e cinco toneladas de material médico da capital, Kinshasa, para Bunia, de forma a reforçar a resposta na linha da frente.
Entretanto, o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), da União Africana, ativou também uma resposta regional abrangente ao surto, alertando para o elevado risco de transmissão devido à “intensa movimentação” de pessoas ligadas à mineração e à proximidade com o Uganda, que já reportou um caso importado, e o Sudão do Sul.
A agência mobilizou equipas de emergência para centralizar a gestão de material médico e convocou uma reunião hoje com parceiros internacionais e a OMS para obter apoio polÃtico ao mais alto nÃvel.
O último surto na República Democrática do Congo ocorreu no final de 2015, na provÃncia de Kasai (região centro), sendo este o 16.º no paÃs desde que o vÃrus foi descoberto, em 1976.
Segundo a OMS, o ébola tem uma taxa de mortalidade entre os 60% e os 80%, é transmitido por fluidos corporais e provoca febre alta, fraqueza intensa e hemorragias.
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