
Porto, 27 out 2024 (Lusa) — A 5.ª Conferência Nacional do BE termina hoje, no Porto, com a aprovação de um documento que define o rumo estratégico do partido e o modelo para as autárquicas, com divergências sobre uma eventual coligação à esquerda em Lisboa.
A coordenadora do BE, Mariana Mortágua, encerra os trabalhos da conferência nacional bloquista pelas 13:00, mas antes, durante a manhã, os mais de trezentos militantes que estão reunidos na Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, vão votar recomendações à Mesa Nacional sobre o rumo estratégico do BE e as autárquicas do próximo ano.
Em apreciação vão estar dois documentos globais, um apresentado pela comissão polÃtica do BE e um segundo por uma ala crÃtica interna.
No documento global apresentado pela direção, o BE insiste nas crÃticas ao Governo PSD/CDS-PP, demarcando-se das suas polÃticas, mas também deixa reparos ao PS pela viabilização do Orçamento do Estado para 2025, recusando colocar o “socialismo na gaveta”.
Sobre autárquicas, a direção alargada do BE afirma que pretende procurar, sempre que possÃvel, alianças alternativas a governações de PS e PSD, mantendo a abertura para uma aliança à esquerda que desafie Carlos Moedas em Lisboa.
No primeiro dia de trabalhos, alguns bloquistas manifestaram divergências sobre uma eventual coligação autárquica com o PS em Lisboa, com alertas para uma possÃvel diluição polÃtica, mas também apelos a uma “candidatura alargada”.
Estas preocupações estão expressas em algumas propostas de alteração ao documento apresentado pela direção, que também serão votadas hoje.
Além do documento global apresentado pela direção, vai também ser votado um documento alternativo, subscrito por alguns elementos que integravam a lista apresentada por Mariana Mortágua à Mesa Nacional, como Adelino Fortunato (que também integra a Comissão PolÃtica), Alexandra Vieira (antiga deputada), Helena Figueiredo e José Manuel Boavida.
Estes bloquistas consideram que o modelo atual do partido “está esgotado, tanto no plano polÃtico como organizativo”, “as viragens não explicadas de orientação e a prática interna dominante apontam para a decadência e para a degenerescência” e a atual organização está “desmotivada e desmobilizada”.
No que toca a autárquicas, o documento alternativo não faz qualquer referência concreta a Lisboa, sendo proposta a apresentação de listas próprias, que devem incorporar independentes sempre que possÃvel.
A intenção de assegurar lugares já conquistados a nÃvel autárquico “não se deve sobrepor à lógica do combate polÃtico mais geral, não só contra a direita, mas também contra as polÃticas erradas do PS e do PCP”, é alertado.
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