
Paris, 16 set 2021 (Lusa) – A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, classificou hoje as “condições favoráveis de financiamento” como as “palavras mágicas” para a recuperação da pandemia de covid-19 neste momento, numa conferência em Paris.
“Temos de assegurar que as condições de financiamento continuam favoráveis. Essas são as três palavras mágicas: condições de financiamento favoráveis”, disse, em inglês, a uma audiência de estudantes, que participava no evento de forma presencial e remota.
A antiga responsável máxima do Fundo Monetário Internacional (FMI) salientou a importância dessas condições continuarem “disponÃveis para os negócios, para as grandes empresas, para os agregados familiares, para as ‘startups’, para que prossigam a sua atividade e possam investir”.
“Já estamos a observar as empresas a pedir empréstimos para investir novamente”, destacou, apelando ainda a que, em termos da polÃtica orçamental, os apoios vigentes durante as fases mais agudas da pandemia de covid-19 se mantenham.
“Na frente orçamental, acreditamos que o apoio ainda é necessário. E como a minha colega e amiga Ursula Von der Leyen [presidente da Comissão Europeia] disse ontem [quarta-feira], não podemos repetir os erros do passado”, vincou.
Quanto aos apoios futuros, na opinião de Christine Lagarde “a diferença estará em como o apoio orçamental será direcionado”, e apontou aos novos Planos de Recuperação e Resiliência a serem implementados em toda a UE.
“Penso que será um processo que alguns olharão como sendo doloroso, mas que é uma relação contratual regular, normal”, referindo-se à série de compromissos dos paÃses para receberem os empréstimos e subvenções ao abrigo do Fundo de Recuperação europeu.
Quanto à s regras orçamentais em vigor, Lagarde disse acreditar que “que terá de haver uma transição de volta à s regras”.
“Precisamos de continuar com as regras ao nÃvel da União Europeia, porque somos 27 Estados-membros diferentes e não temos um Ministério ou ministro das Finanças único”, explicitou.
Na conversa com os estudantes, Christine Lagarde recordou ainda os primeiros passos dados em reação à pandemia de covid-19, em março de 2020.
“Na altura em que as medidas de confinamento foram decididas, o Banco Central Europeu, numa noite, na mesa da minha cozinha, na verdade – tenho de o dizer – colocou em marcha um duplo plano massivo para responder”, contou.
O objetivo foi “assegurar que não haveria fragmentação”, que “que a liquidez fluiria no processo, e para assegurar que as famÃlias e empresas poderiam ter acesso a financiamento e empréstimos”.
“Foi rápida, grande, e conjunta”, disse sobre a resposta à crise por parte das instituições europeias.
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