
Lisboa, 25 nov 2025 (Lusa) — O álbum “Kokyuu” reúne num duplo CD trabalhos para orquestra e solista de Luís Tinoco, compostos até ao ano passado, e vai ser editado na sexta-feira.
O álbum conta com a participação das orquestras com as quais Luís Tinoco mais tem trabalhado: a Metropolitana de Lisboa, nesta gravação dirigida por Pedro Neves, e a Orquestra Sinfónica da Casa da Música, aqui dirigida por Joana Carneiro.
Quanto aos solistas, um gripo de “cúmplices e amigos”, como se lhes referiu Tinoco, são a cantora Lívia Nestrovski, o violoncelista Filipe Quaresma, o acordeonista João Barradas, o clarinetista Horácio Ferreira e o saxofonista Ricardo Toscano.
O primeiro CD reúne três peças: “Kokyuu”, concerto para saxofone alto e orquestra, Canções de Trabalho e o Concerto para Violoncelo n.º 2; o segundo disco, gravado em concerto na Casa da Música, no Porto, inclui o Concerto para Acordeão e Orquestra, e “Entre Silêncios”, concerto para clarinete e orquestra.
O título escolhido de “Kokyuu” remete para o Japão, podendo significar um cordofone, como respiração, dependendo do contexto, disse à Lusa Luís Tinoco, que afirmou que a sua escolha privilegiou o significado como “respiração”.
“Fui mais pela respiração. A razão pela qual o álbum tem esse título, ‘Kokyuu’, porque o nome por si só pareceu-me mais interessante do que um outro, tipo ‘concerto para orquestra e solistas’, e há este lado da plasticidade do som da palavra, mas principalmente porque é um conceito que resume, o que me parece bastante eficaz, o tipo de gesto musical transversal nas cinco obras, que é o de lidar com essa ideia da procura de um equilíbrio, de lidar com uma boa respiração”, afirmou o Prémio Pessoa 2024.
“Algo que infelizmente, nos últimos anos não nos tem sido possível, quer por razões pandémicas, na altura que estava a escrever o ‘Kokyuu'”, acrescentou o compositor referindo-se à pandemia de covid-19.
Por outro lado, Luís Tinoco prosseguiu: “Também do ponto de vista social e político, e do que nos rodeia, uma distopia, impensável e que parece não reverter e continuar a progredir, de uma forma quase asfixiante”.
“Esta música procura encontrar essa boa respiração, esse espaço, essa tranquilidade que nos falta”, acrescentou.
Em “Kokyuu”, “os instrumentos de sopro representam, um pouco, essa procura de equilíbrio, essa respiração que falta”.
“Por outro lado, o tipo de soluções musicais, de ambientes e sonoridades que se exploram neste concerto vão reaparecer, de alguma maneira nas outras obras do álbum, por isso, é a peça que representava melhor e da forma mais correta, de uma forma global esses cinco concertos”, argumentou.
A escolha de Ricardo Toscano permite escutar a peça por um solista “com uma cor instrumental completamente diferente” da anterior gravação por João Pedro Silva que é “mais clássico” e com a qual afirmou estar “super contente”.
As Canções de Trabalho, para voz e orquestra, com “a voz natural” de Lívia Nestrovski, foram compostas para a Orquestra Sinfónica Portuguesa estrear na sede da UNESCO, em Paris, mas acabou por ser estreada cinco dias antes, a 30 de abril de 2022, no Cine-Teatro Avenida, em Castelo Branco.
Os três andamentos da peça são inspirados em cantos de trabalho de Portugal e Cabo Verde, havendo no final da terceira canção um improviso livre de Nestrovski sobre um fundo orquestral, fechando com uma citação de “Meu Barco é Veleiro”, melodia registada em 1938, em Pernambuco, no Brasil, interpretada por um grupo de carregadores de pianos.
A terceira peça é o Concerto para Violoncelo n.º 2, para pequena orquestra de câmara, estreado no ano passado, que foi uma encomenda da discográfica Artway para o projeto “Beyra” e, tal como o 1.º Concerto, escrito para ser estreado por Filipe Quaresma, “confirmando a afinidade com o instrumento assim como com o violoncelista”, que admira.
O Concerto para Acordeão e Orquestra, com uma duração de cerca de 20 minutos, foi uma encomenda do Centro Cultural de Belém, e da Casa da Música, e abre o segundo CD, que inclui ainda “Entre Silêncios”, concerto para clarinete e orquestra, de 2019, uma encomenda da Fundação Gulbenkian. Ambas as peças são gravadas ao vivo, na Casa da Música, com a respetiva Orquestra Sinfónica.
Luís Tinoco estudou na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) e no Reino Unido, onde se doutorou na Universidade de Iorque. É professor na ESML, tem colaborado com a Antena 2, como autor e produtor de programas radiofónicos, e tem desempenhado funções como diretor artístico do Prémio e do Festival Jovens Músicos.
Foi compositor residente do Teatro de S. Carlos entre 2016 e 2018 e artista associado da Casa da Música em 2017.
NL // TDI
Lusa/Fim
