
Riade, Arábia Saudita, 10 set 2023 (Lusa) — O Comité do Património Mundial da UNESCO inicia hoje a sua reunião anual, que decorre até dia 25 na Arábia Saudita e onde vão ser votadas as propostas de novas classificações, incluindo o alargamento da zona classificada de Guimarães.
Da lista inicial para as votações da reunião que hoje começa constava a classificação dos jardins e do edifÃcio da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, mas na lista final já só surge a proposta relativa a Guimarães, uma vez que foi recomendado o adiamento do processo da Gulbenkian.
Em relação a Guimarães, cuja candidatura para ampliação da área classificada passou a fazer parte da lista indicativa em 2016, a Câmara Municipal propôs “duplicar a área classificada, inscrevendo a Zona de Couros na lista indicativa para obter o estatuto de Património da Humanidade”, como se podia ler num comunicado da autarquia de 2015.
“No caso de a candidatura ser bem-sucedida, a área de proteção passará a ser cinco vezes superior à atual, criando-se uma zona tampão desde o topo da montanha da Penha, onde nasce a ribeira de Couros, à Veiga de Creixomil, foz de cursos de água”, acrescentava o texto.
A autarquia do distrito de Braga sublinhou, noutro documento, que “a área classificada agora proposta aponta um novo sentido à leitura do ‘Centro Histórico de Guimarães’, incorporando os espaços primitivos do trabalho na compreensão da génese e desenvolvimento”.
“Até à candidatura, estava consolidada a ideia de que a génese de Guimarães era bipolar: em torno da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, e em torno do Castelo, à cota alta. Hoje sabemos que, à cota baixa, se desenvolviam as atividades de curtimenta (certamente, entre muitas outras) e, nesse sentido, é incompleta a noção do burgo medieval sem a compreensão destas inter-relações”, pode ler-se no texto.
A Câmara de Guimarães acrescentou: “O que hoje se vê em Couros resulta do desenvolvimento da indústria nos últimos 100-200 anos, sobrepondo-se, por exigências funcionais, produtivas, à s preexistências. Documentalmente, já no século XII o rio é designado como ‘rio de Couros’. Mas parece cada vez mais certa a hipótese da génese desta atividade, neste local, ser muito mais remota, por exemplo, considerando as referências à s trocas comerciais presentes no testamento de Mumadona Dias (ano de 959)”.
De acordo com a lista de nomeações, a proposta de ampliação recebeu uma avaliação preliminar positiva para reclassificação.
O Centro Histórico de Guimarães está classificado como Património Mundial desde 2001.
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