
Macau, China, 30 jan 2022 (Lusa) — As celebrações do Ano Novo Lunar, um ponto alto para o turismo de Macau, estão de volta após dois anos de interregno, mas os surtos de covid-19 na China baixaram as expectativas dos comerciantes.
Lau gere um dos poucos espaços onde ainda se fabricam os tradicionais chouriços chineses, numa esquina junto à rua dos Mercadores, onde se vendem também carnes doces, peixe salgado e biscoitos de amêndoa.
A maioria dos clientes são turistas da China e por isso mesmo a covid-19 trouxe um grande rombo ao negócio. “Antigamente, a gente sujava as mãos, mas ainda se ganhava algum dinheiro”, disse à Lusa o octogenário.
Macau recebeu 7,7 milhões de visitantes em 2021, mais 30,7% do que no anterior, mas muito longe dos 39,4 milhões registados em 2019, antes do inÃcio da pandemia.
Estes visitantes são quase todos oriundos da China, que beneficia de exceções face à s restrições fronteiriças determinadas no âmbito do combate à pandemia do novo coronavÃrus. Se não existir qualquer surto no paÃs, quem passa a fronteira deve apresentar um teste negativo à covid-19 e um código de saúde digital.
Apesar de ser uma das festas mais importantes para as famÃlias chinesas, Pequim pediu à população para não viajar durante os feriados.
Mesmo assim, a Direção dos Serviços de Turismo de Macau já garantiu a realização do espetáculo de fogo de artifÃcio do Ano Novo Lunar, bem como a tradicional parada para assinalar a efeméride, ambas canceladas tanto em 2020 como em 2021.
O fogo de artifÃcio vai acontecer nas noites de 03, 07 e 15 de fevereiro, esta última a coincidir com o tradicional Festival das Lanternas.
Quanto à parada de celebração do ano do tigre, esta vai acontecer nos dias 03 e 12 de fevereiro sob o tema “Virando a Fortuna com o poderoso Tigre”: 14 carros alegóricos, acompanhados por 22 grupos chineses e locais, vão passar por diferentes zonas da cidade nesses dois dias.
Lau disse esperar ver mais visitantes em Macau durante o Ano Novo Lunar, que se assinala a partir de 01 de fevereiro. “Têm fechado tantas lojas que há certas ruas em que até dá pena andar à noite”, lamentou o comerciante.
A grande incógnita, acrescentou Lau, são os surtos de covid-19 que se têm registado na China. “Basta haver uma pessoa aqui em Macau que apanhe ‘isso’ e teremos que fechar tudo”, sublinhou.
Zhuhai, cidade chinesa adjacente a Macau, esteve em alerta após ter sido a segunda cidade da China a detetar a variante altamente contagiosa Ómicron, com 14 casos identificados em quatro dias.
A incerteza não afeta apenas os negócios mais virados para os visitantes.
A loja Va Heng, na rua da Tercena, fica longe das rotas turÃsticas e os maiores clientes das massas de farinha, secas em caixas de madeira, são de Macau, incluindo restaurantes.
A dona, Lei, disse à Lusa que a loja, que tem capacidade para produzir até 300 quilogramas por dia, teve de reduzir o ritmo porque a procura caiu a pique. “Mesmo os nossos clientes mais regulares compram menos. Está toda a gente a tentar poupar porque ninguém sabe o dia de amanhã”, explicou a comerciante.
A taxa de desemprego subiu de 1,7% no final de 2019, antes do inÃcio da pandemia de covid-19, atingindo os 2,8% em novembro, sendo que as empresas locais perderam quase 26 mil trabalhadores não residentes.
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