
Damasco, 04 set 2023 (Lusa) — Os confrontos entre a coligação das Forças Democráticas SÃrias liderada pelos curdos e milÃcias pró-turcas prosseguiram hoje no norte da SÃria, provocando pelo menos 29 mortos em dois dias, informou o Observatório sÃrio de direitos humanos (OSDH).
Em comunicado, a organização não-governamental (ONG), com sede no Reino Unido e que possui uma ampla rede de contactos no terreno, confirmou o registo de 29 mortos, após seis membros do grupo pró-turco Exército Nacional, envolvido na vaga de ataques para se infiltrarem nesta zona do norte sÃrio, não terem resistido aos ferimentos.
O OSDH admitiu que o número de mortos pode aumentar “porque mais de 20 membros das fações [pró-turcas] permanecem em estado grave nos hospitais de Ras al Ain”.
No total, e nos dois últimos dias, pelo menos 24 milicianos pró-Ancara e cinco soldados do Exército sÃrio foram mortos após o envio no domingo, pelo regime de Damasco, de uma importante força militar para a região, onde combate contra as fações pró-turcas.
Os confrontos concentram-se em Tal Tamer, localidade do noroeste da provÃncia de Al Hasakah, onde estas milÃcias tentam infiltrar-se, deparando-se com a oposição do Exército e de combatentes do Conselho Militar de Tal Tamer, que integra as FDS.
No decurso dos violentos confrontos foram utilizadas armas pesadas, lança-foguetes e mÃsseis teleguiados, numa das mais graves escaladas de violência na zona dos últimos anos.
As fações pró-turcas estão a intensificar os seus ataques no noroeste da SÃria, onde hoje foram mortos cinco combatentes destes grupos na localidade de Manbij, após uma resposta das FDS.
Em declarações à agência espanhola EFE, o diretor do OSDH, Rami Abderrahman, disse que “todas as partes do conflito sÃrio estão agora ativas”, pelo facto de o Governo de Damasco, os pró-turcos e os curdos sÃrios “pretenderem distribuir as cartas do jogo devido aos receios do que está para vir” após semanas de instabilidade no paÃs.
Por esse motivo, o representante assinalou que os confrontos internos entre as FDS e os seus aliados na provÃncia de Deir al Zur (nordeste), que até ao momento provocaram 57 mortos, demonstraram as debilidades da aliança das milÃcias pró-turcas que tentaram aproveitar a ocasião para atacar o norte.
A Turquia e as milÃcias apoiadas por Ancara controlam vários pontos do norte da SÃria na sequência de três ofensivas transfronteiriças desencadeadas entre 2016 e 2019. Desde finais de 2022, estas forças ameaçam iniciar uma quarta ação militar contra as zonas sob controlo dos curdos sÃrios.
Ancara, que tem apoiado ativamente diversos setores da oposição sÃria, considera das Unidades de Proteção Popular (YPG), principal componente das FDS, uma “organização terrorista” pelos seus alegados vÃnculos ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a guerrilha curda da Turquia.
A guerra civil na SÃria, desencadeada em março de 2011 pela violenta repressão do regime do Presidente sÃrio, Bashar al-Assad, de manifestações pacÃficas, já provocou mais de meio milhão de mortos e obrigou à deslocação de vários milhões de pessoas.
O conflito ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de paÃses estrangeiros e de grupos ‘jihadistas’, e várias frentes de combate.
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