
Caracas, 12 set 2019 (Lusa) – A Colômbia recusou hoje um pedido do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, para reduzir as tensões bilaterais com a Venezuela, que desde 10 de setembro realiza exercÃcios militares próximo da fronteira com o paÃs vizinho.
“Nós somos defensores da democracia e dos valores democráticos, e reconhecemos Juan Guaidó como o único presidente legÃtimo da Venezuela e a Assembleia Nacional (parlamento) como o único órgão legÃtimo, democrático, que tem esse paÃs”, disse o Presidente da Colômbia aos jornalistas.
Segundo Iván Duque, a Colômbia “tem denunciado a ditadura, como o têm feito muitos paÃses do mundo” e “não é apenas a Colômbia, há mais de 50 paÃses que reconheceram Juan Guaidó e a Assembleia Nacional e que pedem o fim essa ditadura”.
“Nós não temos planos de agredir ninguém mas também somos claros, a Colômbia não vai deixar de denunciar o que está a acontecer com essa ditadura que está a proteger grupos terroristas no seu território, para atentar contra a Colômbia, como é o caso do Exército de Libertação Nacional (ELN)”, explicou.
O Presidente da Colômbia insistiu que tem tido uma posição polÃtica clara sobre o regime do Presidente Nicolás Maduro e o comportamento do Governo venezuelano de amparar membros das subversivas Forças Aéreas Revolucionárias da Colômbia, afirmando que isso “viola o Direito Internacional, a resolução 1373 das Nações Unidas”.
“O convite respeitoso é a que a própria ONU, com a evidência que existe, também faça respeitar não apenas a Carta da organização, mas a resolução que proÃbe aos paÃses apoiarem, promoverem e patrocinarem terroristas no seu território para atentar contra outros Estados”, disse.
Iván Duque sublinhou ainda que “Nicolás Maduro é um ditador responsável pela pior crise humanitária e migratória que a América Latino viu” e que é impossÃvel um diálogo porque o Governo venezuelano “é inimigo da democracia”.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu quarta-feira à Venezuela e à Colômbia que dialoguem para baixar as tensões entre os dois paÃses.
“Temos visto as informações sobre exercÃcios militares. Esperamos que, através do diálogo, os dois paÃses possam encontrar uma maneira de baixar as tensões existentes”, disse o porta-voz de António Guterres, Stéphane Dujarric, citando declarações do secretário-geral da ONU.
Mais de 150 mil militares das Forças Armadas Venezuelanas (FAV) iniciaram na terça-feira os exercÃcios militares “Venezuela, soberania e paz 2019”, por determinação do Presidente do paÃs, Nicolás Maduro, nas proximidades da fronteira com a Colômbia.
Os exercÃcios começaram um dia depois de Nicolás Maduro acusar a Colômbia de tentar recrutar militares venezuelanos para atacar o sistema de defesa do paÃs.
Caracas insiste que a Colômbia pretende levar a cabo “um conflito armado, uma guerra entre os dois paÃses” e apelou aos paÃses da América Latina e CaraÃbas para que intercedam a favor da paz entre os dois estados.
Os exercÃcios militares vão decorrer até 28 de setembro, para “afinar todos os mecanismos de implantação da capacidade de defesa” da Venezuela, segundo Caracas.
Em 05 de setembro, o chefe de Estado venezuelano anunciou que iria introduzir um sistema de mÃsseis para defesa antiaérea nas regiões fronteiriças com a vizinha Colômbia, depois de a oposição anunciar que vai colaborar com as autoridades colombianas para localizar eventuais grupos guerrilheiros e paramilitares que Bogotá diz estarem na Venezuela.
Depois de mais de um ano de paradeiro desconhecido, o antigo número dois das FARC e principal negociador do acordo de paz de 2016, Iván Márquez, reapareceu a 29 de agosto último, num vÃdeo, com outros ex-lÃderes do grupo, anunciando o regresso à s armas.
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