
Dubai, 07 jan 2026 (Lusa) – A coligação liderada pela Arábia Saudita anunciou hoje ter realizado “ataques preventivos limitados” contra os separatistas do sul do Iémen, para os impedir de “alargar o conflito” no país.
Num comunicado, a coligação indicou também que o líder dos separatistas, Aidarous al-Zoubaidi, “fugiu para um local desconhecido” e não embarcou no avião que o deveria levar à Arábia Saudita para as negociações de paz previstas para hoje.
Aidarous al-Zoubaidi lidera o Conselho de Transição do Sul (STC, na sigla em inglês), que aspira recriar um Estado no sul do Iémen, onde uma república democrática e popular foi independente entre 1967 e 1990.
No início de dezembro, as forças do líder tomaram vastos territórios, mas as fações próximas de Riade, apoiadas por ataques sauditas, retaliaram, recuperando este mês o terreno perdido.
A Arábia Saudita convidou então os dois campos para dialogarem, hoje, na capital saudita, a fim de pôr termo aos confrontos. O STC confirmou a participação nesta conferência.
No entanto, por volta da meia-noite (21:00 de terça-feira em Lisboa), a coligação “recebeu informações de que Aidarous al-Zoubaidi tinha deslocado uma importante força, incluindo blindados, veículos de combate, armas pesadas e ligeiras e munições” para a província de Dhale, no sudoeste do Iémen, de acordo com o comunicado.
A delegação separatista partiu para Riade, mas sem al-Zoubaidi, “que fugiu para um local desconhecido, deixando os membros e líderes do STC sem qualquer informação sobre o seu paradeiro após ter distribuído armas e munições (…), com o objetivo de provocar distúrbios em Aden nas horas seguintes”, acrescentou a coligação, referindo-se à capital provisória do Governo iemenita.
A coligação afirmou ter localizado as forças separatistas na província de Dhale e, às 04:00 (01:00 de hoje em Lisboa), ter “realizado ataques preventivos limitados para neutralizar essas forças e frustrar o objetivo de Aidarous al-Zoubaidi de provocar uma escalada do conflito e alargá-lo à província de Dhale”.
O Iémen está devastado por uma guerra civil desde que rebeldes xiitas Huthis, apoiados pelo Irão, tomaram em 2014 a capital Sanaa e, em seguida, grandes partes do país.
O conflito internacionalizou-se um ano depois, quando a Arábia Saudita assumiu a liderança de uma coligação internacional para apoiar o Governo iemenita contra os Huthis.
Rivalidades internas no campo anti-Huthis desencadearam um novo conflito em 2018, opondo os separatistas do sul, agrupados no STC, às forças do Governo, apoiadas respetivamente pelos Emirados Árabes Unidos e pela Arábia Saudita, outrora reunidos na mesma coligação.
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