
Lisboa, 14 jul 2020 (Lusa) — A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) suspendeu hoje as negociações de ações da Benfica SAD, pouco tempo após ter sido confirmada a existência de três arguidos por fraude fiscal, na sequência de uma investigação à sociedade ‘encarnada’.
Esta suspensão, anunciada em comunicado pelo regulador do mercado, ocorre depois de a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter confirmado a constituição de três arguidos, uma pessoa singular e duas coletivas, por fraude fiscal, no âmbito da operação ‘saco azul’, que envolve o Benfica.
De acordo com a edição de hoje do jornal A Bola, o presidente do Benfica, LuÃs Filipe Vieira, é um dos arguidos nesta investigação, como responsável pela SAD, assim como a própria sociedade desportiva e a Benfica Estádio.
“Confirma-se apenas a existência de um inquérito dirigido pelo Ministério Público (MP) do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa e no qual se investigam factos suscetÃveis de integrarem crime de fraude fiscal”, disse à Lusa fonte oficial da PGR.
A mesma fonte acrescentou que, “no âmbito deste inquérito foram, ontem [na segunda-feira], constituÃdos três arguidos, uma pessoa singular e duas coletivas”.
A investigação da Autoridade Tributária (AT) remonta a 2018, quando foram feitas buscas à s instalações ‘encarnadas’, por suspeitas da emissão de faturas de serviços fictÃcios de uma empresa informática, que o Benfica pagou.
Segundo A Bola, LuÃs Filipe Vieira foi ouvido na segunda-feira, tendo sido constituÃdo arguido, acrescentando que outros dirigentes ‘encarnados’ devem ser ouvidos nos próximos dias, casos do administrador executivo da SAD, Domingos Soares de Oliveira, e do diretor financeiro, Miguel Moreira.
Em causa estarão 1,8 milhões de euros que terão sido pagos pelas sociedades ‘encarnadas’, durante seis meses, para pagar serviços que não foram prestados.
Fonte oficial do Benfica confirmou à Lusa que LuÃs Filipe Vieira foi ouvido na segunda-feira, acrescentando tratar-se de uma questão relacionada com o pagamento de IVA e IRC e não com um alegado ‘saco azul’ e também sem relação com a gestão desportiva.
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